Resgates no Mar da zona sul do Rio crescem mais de 1.700% no Réveillon deste ano
Por Agencia Estado
Publicado em 01/01/2026 15:14:01O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro informou nesta quinta-feira, 1º, ter registrado 547 resgates nas praias da zona sul da capital fluminense durante a virada do ano. O número representa um salto de 1.786% em relação ao Réveillon de 2024 para 2025, quando foram apenas 29 salvamentos.
A Defesa Civil do Rio emitiu um alerta de ressaca para todo o litoral fluminense, ontem, 31. O aviso foi transmitido diretamente para todos os celulares da população. A recomendação é que ninguém entre no mar. A orientação se mantém hoje.
A Marinha também emitiu um alerta de ressaca para a região, com previsão de ondas de até 2,5 metros até a manhã desta quinta.
As praias de Copacabana, palco da grande festa de Réveillon do Rio, estiveram lotadas desde a manhã de quarta. As ondas chegaram a se aproximar de um dos palcos montados para o show.
Salvamentos ocorreram em: Copacabana: 248; Ipanema: 168; Leme: 70; Arpoador: 40; Leblon: 11.
O adolescente de 14 anos que desapareceu no mar de Copacabana, na altura do Posto 2, na manhã de ontem continua desaparecido nesta quinta, 1º. Os bombeiros continuam as buscas por ele. De acordo com a TV Globo, ele era de Campinas (SP) e passava o fim do ano no Rio.
Especialistas alertam sobre o risco
"O mar não está indicado para mergulho. Temos ondas de até 2,5 metros, um mar com muita energia, muitas valas e correntes de retorno", alertou o tenente-coronel Fábio Contreiras, do Corpo de Bombeiros do Rio. "As pessoas vão querer, obviamente, se banhar. Está calor. Mas a corporação não negocia a segurança: não mergulhem no mar. Estaremos com drones enviando avisos sonoros para que as pessoas não insistam nessa prática. Realmente, o mar vai subir. O risco é real."
Doutor em gerenciamento de riscos e segurança do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da UFRJ, Gerardo Portela também pede cautela. "Sou carioca, pratico surfe, estou sempre na orla. Mas as condições do mar estão totalmente desfavoráveis", afirmou Portela. "Nos dias que antecederam a atual ressaca, eu tirei várias pessoas do mar com a minha prancha porque a correnteza, em determinados locais, às vezes surpreende e traga a pessoa para dentro da água mesmo em lugares onde dá pé."
Portela também destacou ser necessário estar atento à queda de raios. "Em um local aberto como a praia, basta cair um raio para centenas de pessoas serem impactadas. As pessoas que estão na areia estarão vulneráveis. Durante uma tempestade de raios, a praia é o local de maior probabilidade de uma pessoa ser atingida."