Fronteira do Brasil com a Venezuela está tranquila e aberta, diz Múcio
Por Agência Brasil
Publicado em 03/01/2026 13:49:20“A fronteira está absolutamente tranquila. Nós temos um contingente já há algum tempo lá de homens e equipamentos. Estamos aguardando que as coisas aconteçam. Vamos aguardar a entrevista do presidente da República dos Estados Unidos, algumas coisas que vão acontecer durante o dia”, disse Múcio.
O ministro da Defesa disse que o Brasil tem 10 mil militares na região amazônica, com 2,3 mil em Roraima. Múcio acrescentou que há muita informação desencontrada e que o governo monitora os acontecimentos.
A fala ocorreu após reunião de emergência no Itamaraty, em Brasília, da qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou por videoconferência. Uma segunda reunião de emergência foi marcada para às 17h, também no Itamaraty.
Participaram também da primeira reunião as ministras interinas das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, e da Casa Civil, Miriam Belchior, além do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e de representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) disse que o presidente Lula reforçou o posicionamento divulgado mais cedo no sentido de condenar o ataque dos EUA contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolas Maduro, e sua esposa Cilia Flores, por militares estadunidenses.
A ministra interina Maria Laura da Rocha disse que o Brasil ainda não tem informações sobre o paradeiro do presidente Maduro, mas confirmou que não há relatos de brasileiros feridos.
“A comunidade brasileira está tranquila e nenhuma ocorrência até o momento. Os turistas que lá estão estão conseguindo sair normalmente. Normalidade total com relação à comunidade brasileira”, disse a ministra interina.
Entenda
A invasão da Venezuela pelos EUA marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última vez que os EUA invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando os militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.
Assim como fizeram com Noriega, os EUA acusam, sem apresentar provas, Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel.
O governo dos EUA estava oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.
Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos EUA, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.