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Shopping Tijuca reabre e lojistas tentam retomar rotina após incêndio

Chefe de segurança Anderson Aguiar, 43, e da brigadista Emellyn Silvia Aguiar Menezes, 26, morreram no combate ao fogo

Por Ana Fernanda Freire, Rachel Siston

Publicado em 16/01/2026 13:27:00 Atualizado em 16/01/2026 13:29:12
Equipes da Subprefeitura da Grande Tijuca circularam pela shopping durante reabertura
Rio - O Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, reabriu de forma gradual, nesta sexta-feira (16), após duas semanas fechado, devido a um incêndio. O episódio, no último dia 2, provocou as mortes do chefe de segurança Anderson Aguiar, de 43 anos, e da brigadista Emellyn Silvia Aguiar Menezes, 26. Pela manhã, ainda havia cheiro de fumaça na entrada e do lado de fora do estabelecimento.
A reportagem do DIA esteve no Shopping Tijuca e, antes mesmo das 10h desta sexta-feira, horário em que estabelecimento voltou a abrir as portas, clientes já aguardavam do lado de fora para entrar. No interior do centro comercial, o cheiro de fumaça se misturava com o de essência perfumada, mas era mais forte próximo ao subsolo e a entrada. 
Moradoras da região, mãe e filha, Noemi Netto, 77 anos, e Valéria Cristina, 56, contaram os transtornos com a fumaça nos últimos dias. "A gente mora literalmente em frente àquela saída. Foi terrível! Mas agora estamos sentindo bem menos, porque eles estão usando produtos. Meu pai tem bronquite, ele ficou de máscara, porque assim, a gente não sabia se fechava a casa ou não, se botava o ventilador, não tinha jeito", contou.

As duas são frequentadoras assíduas do shopping e faziam do local um refúgio em dias quentes, por conta do ar-condicionado. "Eu sempre estou aqui. A gente vinha para cá, eu ficava vendo séries. A minha mãe vinha, a gente sentava. E agora estamos esperando para ver como é que está", relatou Valéria.
A reabertura acontece depois da liberação do Corpo de Bombeiros. De acordo com a administração, todos os sistemas e instalações foram revisados para cuidado e segurança do público. Apenas o subsolo (L0) e parte do L1, que compreende 14 lojas acima da Bell'Art, permanecem isolados pela Defesa Civil. Ao menos uma escada rolante segue interditada, com aviso de manutenção, e funcionários foram vistos circulando pelo centro comercial com escadas de manutenção. 
Durante a reabertura, lojistas e vendedores tentaram retomar a rotina, mas algumas lojas ainda permaneceram fechadas. Equipes da Subprefeitura da Grande Tijuca atuaram no shopping desde as primeiras horas da reabertura. Segundo o subprefeito Higor Gomes, todas as exigências feitas para a retomada foram cumpridas.
"Nós tivemos aqui com a gerência de engenharia mecânica da prefeitura. Então, o que nós esperávamos da reabertura está sendo feito. Daqui para frente é ver o shopping funcionando na sua integridade para os moradores da região", explicou.

De acordo com o presidente da Associação Empresarial de Moradores da Grande Tijuca, João Alberto, a maior preocupação da reabertura era com a segurança.
"Hoje a Defesa Civil lançou no perfil dela uma nota dizendo que não existe risco estrutural. Isso traz uma segurança muito grande para os usuários. A gente tem uma preocupação muito grande na questão do shopping abrir por segurança, mas por outro lado também é importante. Primeiro porque ele é um ícone, um dos melhores do Rio de Janeiro. Segundo, que tem muitas pessoas que dependem desse trabalho, desse emprego, então a gente tem que achar o meio termo. O ponto ideal é que volte a abrir, mas com segurança e para que não ocorra de novo um episódio tão terrível como foi esse", afirmou.

A Polícia Civil segue investigando eventuais falhas no sistema de segurança do shopping, incluindo a falta de abastecimento do hidrante e o tempo de resposta da brigada. 
Entenda o caso
O caso aconteceu no dia 2 de janeiro e o fogo teve início na loja de artigos de decoração Bell'Art, que fica no subsolo. Dois funcionários acabaram morrendo e outras três pessoas ficaram feridas. No momento do incêndio, havia mais de 7 mil pessoas no Shopping Tijuca. No dia seguinte, bombeiros chegaram a usar um helicóptero para acessar o local e acabar com os focos remanescentes, já que houve dificuldade de acesso por terra, por causa da fumaça. 
Após 48 horas do incêndio, o Corpo de Bombeiros seguia atuando no rescaldo das chamas. A corporação explicou que o fogo começou em uma área de difícil acesso, provocando grande concentração de fumaça no interior do prédio e exigiu uma atuação técnica especializada das equipes. Com o shopping interditado, clientes precisaram deixar para trás os pertences e muitos não conseguiram retirar os carros do estacionamento.
O incidente causou um "abalo estrutural" no piso do andar térreo, no trecho acima da Bell'Art, e a Defesa Civil Municipal interditou totalmente o subsolo do shopping. O caso é investigado pela 19ª DP (Tijuca) e o forte calor em uma área do subsolo chegou a dificultar o trabalho da perícia, mesmo quatro dias após o início das chamas. Em depoimento, o diretor de operações da brigada afirmou que houve falha no alarme da loja e o sistema seria decisivo para comunicar ao setor de segurança sobre a presença de fumaça. 
Além disso, um supervisor da loja onde começou o fogo relatou que o hidrante do estabelecimento estava sem água, o que obrigou a equipe a acoplar a mangueira em um quiosque vizinho. Na oitiva, ele contou ainda que, mesmo após o alerta e a evacuação, os primeiros integrantes da segurança do shopping só chegaram cerca de sete minutos depois. 
As câmeras de segurança registraram os últimos minutos de vida do chefe de segurança morto no incidente, que voltou à loja em chamas para tentar retirar duas brigadistas. Nas imagens, é possível ver Anderson sendo retirado em uma maca, carregado por bombeiros e usando máscara de oxigênio. A blusa social branca que ele vestia aparece escurecida pela fuligem e aberta. A vítima foi levado para o hospital, mas não resistiu. A brigadista Emellyn também morreu após inalar a fumaça tóxica no subsolo.
Sobre o shopping
Inaugurado em 1996, o Shopping Tijuca é o maior complexo comercial da região, com mais de 300 lojas. O espaço ainda conta com academia, cinema e restaurantes, além de 1.080 vagas de estacionamento e uma média superior a 1 milhão de consumidores por mês. O estabelecimento já havia sofrido um princípio de incêndio, em 24 de dezembro de 2024. Na ocasião, o fogo atingiu uma loja no piso L2 e foi controlado rapidamente, sem registro de vítimas. No entanto, o local precisou ser evacuado devido à fumaça e para a realização do rescaldo com segurança.