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SP: Tarcísio fala em deslocar policiamento do centro para bairros com mais furtos e roubos

Por Agencia Estado

Publicado em 05/02/2026 12:30:16

O crescimento de furtos e roubos em bairros mais distantes do centro leva o governo de São Paulo a mudar a estratégia de policiamento da capital, hoje muito focada na região central. Nesta quarta-feira, 4, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que o efetivo de policiamento ostensivo será deslocado para os bairros onde houver aumento de criminalidade.

Tarcísio diz que isso se tornou possível após o desmantelamento da Cracolândia, local de concentração de usuários de drogas, no centro. O governador anunciou também uma parceria com a prefeitura de São Paulo para ampliar o Smart Sampa, programa que usa câmeras com recursos de reconhecimento facial e de placas de veículos. A reportagem entrou em contato com a prefeitura e aguarda retorno.

Em janeiro deste ano, uma sequência de assaltos a pedestres em ruas movimentadas do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, assustou os moradores. Na terça-feira, 3, um assalto a uma residência no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo, terminou em perseguição e troca de tiros entre assaltantes e policiais na avenida Faria Lima. Ao menos quatro suspeitos foram baleados e um morreu em plena avenida.

Tarcísio não se referiu a um bairro específico. "A gente tem observar os indicadores e estar sempre olhando essa questão da mancha criminal. Lá atrás a gente tinha uma necessidade de combater a questão da Cracolândia, combater o tráfico de drogas no centro, criamos várias unidades de policiamento lá." Agora, segundo ele, é o momento de olhar para outras regiões. "Como a gente tem de olhar as outras áreas? O crime cresceu aqui, então vamos deslocar efetivo."

O bairro de Capão Redondo, na zona sul da capital, registrou pelo segundo ano consecutivo o maior número de assaltos em 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP). Apesar disso, houve queda no número de ocorrências em comparação com 2024. Campo Limpo, também na zona sul, ficou em segundo lugar, embora tenha igualmente registrado queda nos números.

Segundo Tarcísio, desde o início de sua gestão, os índices de criminalidade no centro caíram quase 60%, mas o crime é dinâmico. "A gente precisa olhar onde o crime está. Agora, a gente vai olhar para as outras áreas."

Conforme a SSP, os roubos e furtos a residências caíram em toda a cidade de São Paulo. No último ano, aconteceram 4,2 mil crimes ante 5,4 mil entre janeiro e dezembro de 2024.

O governador disse que, apesar da mudança no policiamento, o centro não vai ficar sem segurança. Ele minimizou o risco de eventual recrudescimento da Cracolândia com a estratégia de remanejar o efetivo policial que atua no centro. "A gente conseguiu estabelecer unidades lá e combater a grande chaga (Cracolândia). Não vamos descobrir um santo para cobrir outro", diz.

Programa Smart Sampa

Tarcísio disse que o governo está trabalhando com a Prefeitura de São Paulo para ampliar o Smart Sampa. O programa, implantado na gestão de Ricardo Nunes (MDB), é o maior sistema de monitoramento virtual da América Latina.

Segundo o governador, o governo de São Paulo deve entrar no cofinanciamento do Smart Sampa, ampliando o monitoramento. "A gente entende que só a ampliação do efetivo não vai bastar, a gente vai precisar investir também em tecnologia."

Essa ampliação "é pra já", segundo o governador. "Vamos ter um quartel general integrado, prefeitura e Estado, para que a gente possa compartilhar com mais velocidade as informações e, obviamente, deslocar efetivo de policiamento ostensivo para a região onde tiver aumento de criminalidade."

O governador falou também sobre o reassentamento da Favela do Moinho, na região central de São Paulo, projeto de reurbanização da última favela do centro, entre os bairros Campos Elíseos e Bom Retiro. O local servia de abrigo para traficantes de drogas ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo Tarcísio, 858 famílias já foram realocadas e teve início a demolição das estruturas. "O Moinho vai muito bem. Entendo que (o projeto) tem uma importância muito grande nesse contexto de violência pública", diz.

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