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Brasil Incógnito - O Que os Seus Olhos Não Veem, a Minha Imaginação Reinventa

Por Meia Hora

Publicado em 13/02/2026 00:00:00 Atualizado em 13/02/2026 00:00:00

Sou eu teu canibal e remetente

Nessa carta incoerente

Vim lembrar do que passou

Aporto nesse mar de atrocidade

Pindorama insanidade

Que desvenda o invasor

A tinta da história que insistiu me decifrar

Um bicho de arco e flecha a devorar

Os livros, ao contar que fui escravo do passado

Um filho de Tupã catequizado

Tomaram terra e me forçaram misturar

A pele preta, a coroa, o cocar

Deixa o chão tremer, ê, ê, ô

Que mata adentro, a cobiça reluziu

Qual é meu nome, ora pois?

A força, o sangue de nós dois

Debaixo de pau, Brasil

Ao ler que minha fome de saber se alimenta

Degusta o verbo, te supera e reinventa

Devo sentir que a transgressão te causa dor

Se me criou, sabia um dia quais seriam os meandros

Teu Deus de pedra não põe medo em meus malandros

E teu sagrado insiste em vilipendiar

Vixe Maria! Cabra da peste, arretada, é Betinha

A devoção da minha gente encarnada

A eterna fome de prazer me consumiu

Se festejar é minha sina

A Vera Cruz quem te assina

E te entregue a tua pátria que pariu

Se a canoa não virar, olê olá

Meu recado vira samba e Carnaval

Chega ao destinatário

O meu grito libertário

Vigário Geral

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