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Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu

Por Meia Hora

Publicado em 14/02/2026 00:00:00 Atualizado em 14/02/2026 00:00:00

Sou eu, a Flor do Mulungu

Brilham os olhos d'Água!

Orayeyê! É de Mamãe Oxum!

Sou Ponciá Consagrada

Entregue às palavras

E ao axé das ancestrais

Se tempos atrás

Ecoavam vozes do porão

Hoje reescrevo a história

Poesia a despertar nas pretas mãos

Nos becos da minha memória

Meu verbo é ouro de aluvião

Meu verso é barro de artesão

Pra Folia de Reis, chamo vô e chamo tio

Na Folia de Reis, vou vivendo por um fio

Ô lê lê, lá vem batuque, pra congada começar

Angorô, vira menino! Angorô, não vou virar!

Não é fácil emergir nesse contraste

Benevuto, a maldade, não quer me ver sorrir

No refúgio desses becos e vielas

De mãos dadas com Sabela

Eu só quero ser feliz

O Rio que me acolheu me ensinou também a florir

Vi muita gente de lá no rosto negro do povo daqui

Sou eu quem dá voz à caneta que silencia o fuzil

Me torno imortal no Livro Brasil

Malungo! Que Negro-Estrela possa ser reconhecido

Sem o choro de um futuro interrompido

Por todo preto, escreviver!

A gente combinamos de não morrer!

Combinamos de não morrer!

Chamei Maria, preta velha jongueira

Vovó Joana, pra benzer Madureira

Busquei Ivone pra matar essa saudade

O negro é raiz da liberdade!

É Kizomba de preta literatura!

É escrita sem censura no Império a florescer!

Casa de Preto também é Academia

Serrinha, ponciá Yalodê!

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