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'Sabíamos que era a hora de sair', diz CEO da Netflix sobre disputa pela Warner Bros

Por Agência Estado

Publicado em 02/03/2026 10:21:11

A saída da Netflix da disputa pela Warner Bros. Discovery, anunciada no fim do mês de fevereiro, surpreendeu Hollywood, mas não a liderança da empresa. Em entrevista à Bloomberg News, o co-CEO Ted Sarandos afirmou que a decisão já estava traçada antes mesmo da proposta rival ser oficializada.

"Soube na hora […] nós sabíamos exatamente o que iríamos fazer", declarou o executivo ao explicar por que a companhia optou por não cobrir a oferta concorrente.

Limite financeiro definiu a decisão

Segundo Sarandos, a Netflix estabeleceu previamente quanto estaria disposta a pagar pelo negócio e não pretendia ultrapassar esse valor, independentemente da disputa. "Nós tínhamos uma faixa muito estreita dentro da qual estaríamos dispostos a pagar", afirmou. "Estou satisfeito com o ponto em que entramos e satisfeito com o ponto em que saímos."

O executivo explicou que a empresa já havia planejado diferentes cenários e, por isso, não precisou voltar ao conselho quando recebeu a notificação de que havia uma proposta superior. "Já tínhamos feito todo o planejamento de cenários. Sabíamos o que queríamos fazer."

A companhia chegou a alterar a estrutura da oferta para pagamento em dinheiro, tentando acelerar o fechamento do acordo, mas manteve o teto financeiro estabelecido.

Críticas ao modelo da concorrência

Durante a entrevista, Sarandos comentou a estratégia da Paramount Skydance, que pretende assumir dívidas bilionárias para concluir a aquisição. Na avaliação do CEO, o impacto deve atingir diretamente o volume de produções. "Isso significa menos produção, menos gente trabalhando", disse.

Segundo ele, os cortes previstos ultrapassariam 16 bilhões de dólares, cerca de R$ 82 bilhões, em custos, o que, na prática, deve levar a mudanças estruturais no setor audiovisual.

Resistência política e investigação regulatória

A proposta da Netflix enfrentou críticas de sindicatos, políticos e figuras da indústria, em parte pela relação da empresa com o circuito tradicional de cinemas. Ainda assim, Sarandos negou que a pressão política tenha influenciado a decisão de sair da disputa.

"Havia uma narrativa crescente de resistência política. Mas seguíamos um caminho regulatório normal", afirmou. Ele também disse que a investigação conduzida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos foi encerrada. "Estamos liberados", declarou.

Relação com os cinemas pode mudar

Apesar das críticas recebidas durante as negociações, Sarandos afirmou que o processo aproximou a Netflix dos exibidores e abriu espaço para novas parcerias. "Acho que vamos achar um monte de coisas legais para fazer juntos daqui para frente", disse, ao comentar a possibilidade de ampliar lançamentos da plataforma nas salas de cinema.

Ao comentar a repercussão negativa entre parte do mercado e de Hollywood, o executivo afirmou que o setor atravessa um período de instabilidade e que havia resistência à venda da Warner Bros. para qualquer comprador. "As pessoas, na realidade, não queriam que a Warner fosse vendida para ninguém", afirmou.

Sarandos reforçou que a empresa via valor estratégico na aquisição, mas não dependia dela. "Nós definitivamente queríamos esse ativo. Não precisávamos dele. Segundo ele, abandonar a disputa rapidamente foi uma decisão racional. "Alguém ia perder esse negócio por um dólar. E quanto mais rápido você aceitasse isso, melhor."

Próximos passos da Netflix

Questionado sobre novas aquisições, o executivo indicou que a empresa não deve buscar outro grande estúdio no curto prazo. "Somos construtores, não compradores", afirmou.

Os recursos que seriam destinados ao negócio devem agora ser direcionados ao próprio crescimento da plataforma. "Vamos continuar investindo no negócio", resumiu.

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