Em viagem de Lua de Mel em Dubai, brasileiro relata explosões e pânico dentro de hotel
Por Agencia Estado
Publicado em 02/03/2026 16:09:48Gabriel Dias, engenheiro de dados de 31 anos, está em Lua de mel em Dubai. Em entrevista ao Estadão, ele relatou os momentos de pânico que passou com a companheira nos últimos dias com as explosões. O casal estava na rua, passeando, quando ouviu o barulho de um míssil e tomou conhecimento dos ataques. Eles retornaram ao hotel logo na sequência.
"Dava medo de ficar perto da janela, da parede do quarto. A hora de dormir também foi tensa, porque em qualquer momento da noite poderíamos acordar com uma explosão".
O brasileiro Rodrigo Menozzi, de 41 anos, e a família presenciaram a explosão de mísseis do Irã em Dubai no último domingo, 1º. Os paulistanos estão nos Emirados Árabes Unidos a passeio desde 21 de fevereiro e ainda não sabem quando conseguirão retornar ao Brasil.
Rodrigo gravou o momento em que um míssil cruzou o céu de Dubai e foi interceptado pelo sistema de defesa local. Ele e a família também ouviram o sobrevoo de caças e explosões na região central da cidade. Hospedados a poucos metros do Burj Khalifa, considerado o prédio mais alto do mundo, aguardam definições sobre a volta ao País.
O voo que estava marcado para a próxima terça-feira, 3, foi cancelado em razão dos ataques. "Recebemos um e-mail há pouco dizendo para aguardar que eles vão entrar em contato, e que o voo pode se estender até o dia 20 desse mês. Que a gente pode remarcar", explicou o empresário.
Segundo informações divulgadas pelo ministério da Defesa neste domingo e publicadas pelo The New York Times, mais de 200 drones e 137 mísseis balísticos tiveram como alvo os Emirados Árabes Unidos. A maior parte foi interceptada, mas 14 drones caíram em território e águas do país. Durante o ataque, o governo enviou um "alerta extremo" para todos os celulares, indicando risco de novos disparos de mísseis ou drones.
Gabriel relatou ao Estadão que a viagem de comemoração transformou-se em temor. "Tensão muito grande, algo fora da realidade do brasileiro. Quando eu estava no Brasil, via sobre os ataques de Israel e parecia uma realidade tão distante, e estarmos aqui vivendo isso é um choque muito grande, algo distante ficou perto".
O casal deveria retornar ao Brasil no último domingo, mas também não recebeu previsão de embarque para São Paulo. Eles precisaram arcar com uma diária extra no hotel, por valor superior ao inicialmente pago, e buscam alternativas.
Sobre a volta, Gabriel entrou em contato com a Emirates por mensagem e telefone e foi informado de que os voos devem ser retomados na noite desta segunda-feira, 2. No momento em que conversava com o Estadão, ele estava no aeroporto de Dubai tentando atendimento no guichê da companhia.
De acordo com a agência de notícias AP, a Emirates suspendeu as operações até a tarde de segunda-feira, enquanto o aeroporto do Catar permanecerá fechado até a manhã do mesmo dia, conforme informou a Qatar Airways. A companhia israelense El Al anunciou que prepara um programa para repatriar israelenses retidos no exterior assim que o espaço aéreo for reaberto.
Aeroportos afetados
Mais de 1,8 mil voos foram cancelados no domingo em aeroportos de todo o Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita, Jordânia, Turquia e Egito. A expectativa é de que os cancelamentos se estendam além de domingo.
A Cirium, empresa de análise de aviação, aponta que é difícil estimar o total de passageiros afetados globalmente. Ainda assim, calcula que ao menos 90 mil pessoas realizam conexões diariamente nos aeroportos de Dubai, Doha ou Abu Dhabi apenas em três companhias aéreas, Emirates, Qatar Airways e Etihad.
Os aeroportos de Dubai, Abu Dhabi e Doha, entre eles o Aeroporto Internacional de Dubai, um dos mais movimentados do mundo, funcionam como importantes centros de conexão entre Europa, África e países ocidentais com a Ásia. Os três foram atingidos diretamente por ataques.
O espaço aéreo e os aeroportos em Israel, Catar, Síria, Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein, Omã e Emirados Árabes Unidos estavam fechados, segundo sites de rastreamento e autoridades locais.
Também houve relatos de ataques no Aeroporto Internacional do Kuwait. O Irã não assumiu a autoria publicamente.