Geral

Saneamento avança como motor de transformação social, ambiental e econômica no Rio

Evento para celebrar o Dia Mundial da Água reúne especialistas, gestores, educadores e jornalistas para debater desafios do setor e exaltar conquistas

Por Meia Hora

Publicado às 25/03/2026 12:50:00 Atualizado às 25/03/2026 13:30:33
Anselmo Leal, Presidente da Águas do Rio, no Seminário Caminho das Águas
Conteúdo de responsabilidade do anunciante
O acesso à água tratada e à coleta de esgoto vai muito além da infraestrutura: é ponto de partida para avanços em saúde, educação e desenvolvimento econômico. Essa perspectiva guiou o Seminário Caminho das Águas, no Museu do Amanhã, na Zona Portuária do Rio, que marcou o Dia Mundial da Água e reuniu especialistas em torno do desafio de acelerar mudanças concretas a partir do saneamento.
Iniciativas que formam uma nova cultura de cuidado com o meio ambiente foram destaque no evento. É o caso do programa Esse Rio é Meu, da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Planetapontocom. O projeto leva educação ambiental para escolas públicas de forma prática: alunos passam a “adotar” o rio do bairro e, com apoio dos professores, propõem ações de recuperação e preservação, aprendendo sobre o meio ambiente e desenvolvendo senso de dono.
Com apoio da Águas do Rio, empresa do grupo Aegea, a iniciativa chega a mais escolas, com presença crescente na Baixada Fluminense. Este mês, Esse Rio é Meu está sendo lançado nos municípios de São João de Meriti, Japeri e Queimados.
“Já empoderamos mais de 640 mil estudantes, incentivando-os a monitorar rios, a criar projetos de preservação e a transformar o local onde vivem. Assim eles passam a ter a sensação de que aquele patrimônio hídrico pertence à toda comunidade, o que amplifica sua capacidade de mobilização”, destacou Silvana Gontijo, presidente da Planetapontocom.
A relevância de iniciativas como essa se torna ainda mais evidente diante da realidade brasileira. Segundo o Instituto Trata Brasil, 33 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável e 90 milhões vivem sem coleta de esgoto, um cenário que pressiona não apenas o meio ambiente mas o sistema de saúde, além de comprometer o aprendizado e limitar o desenvolvimento do país.
Nesse contexto, o avanço do saneamento passa a redesenhar territórios. No estado do Rio, a atuação da Águas do Rio, presente em parte da capital e em outros 26 municípios, mostra como investimento e gestão eficiente aceleram resultados. Em pouco mais de quatro anos, já foram aplicados R$ 5,5 bilhões, com efeitos que começam a se consolidar.
Esse avanço fica ainda mais claro nas áreas mais vulneráveis. Na Mangueira e na Barreira do Vasco, na Zona Norte, por exemplo, a ampliação dos serviços já traz resultados diretos na qualidade de vida. A redução de doenças de veiculação hídrica chegou a 61,5% e 41,1%, respectivamente, segundo o DataSUS.
“Quando falamos de um número menor de internações, podemos falar em uma ‘economia invisível’, ou seja, recursos que deixam de ser gastos e permanecem nos cofres públicos. Isso permite direcionar esse dinheiro para outras políticas e criar um ciclo de desenvolvimento e prosperidade compartilhada”, explicou Anselmo Leal, presidente da Águas do Rio.
Ainda segundo ele, para que esse avanço chegue a quem mais precisa, é adotada uma combinação de investimento com inclusão. 
“Por meio do subsídio cruzado, modelo em que regiões com maior capacidade de pagamento ajudam a financiar o serviço em áreas de menor renda, quase 1 milhão de pessoas passaram a ter acesso regular à água e ao esgoto no Rio, saindo da informalidade”, afirmou Anselmo.
Mais crianças nas escolas
Na educação, o reflexo do trabalho de saneamento na Mangueira e na Barreira do Vasco aparece na queda das faltas na escola, com redução de 45% e 28%, respectivamente. Para Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea, o saneamento exerce um papel estruturante na qualidade de vida e no desenvolvimento social.
“O saneamento é fundamental para a criança ter o desenvolvimento escolar adequado, poder disputar uma vaga em universidade e ter acesso a um bom emprego. É uma cadeia de soluções. Isso engloba toda a dignidade da família”.
Essa mesma lógica está por trás de grandes obras de água e esgoto, como as que avançam no conjunto de favelas da Maré. Ali, cerca de 200 mil pessoas terão água regular, conta na Tarifa Social com desconto, e esgoto coletado e tratado até o fim de 2027. Além de beneficiar a população, o saneamento terá impacto positivo no meio ambiente, com 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês sendo destinados para tratamento, ajudando a proteger a Baía de Guanabara.
Para Margareth Dalcomo, médica pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, o saneamento funciona como uma espécie de “vacina”, com efeitos imediatos e mensuráveis. “Visitei recentemente a Baixa do Sapateiro, na Maré, e vi a água limpa saindo da torneira. Onde o saneamento chega, o número de internações de crianças por doenças diarreicas cai a zero”, afirmou, durante a agenda de eventos organizados pela Planetapontocom.
Saneamento fortalece a economia
Aliás, a recuperação da Baía de Guanabara, que deixou de receber cerca de 130 milhões de litros de dejetos por dia após iniciativas da Águas do Rio, também impulsiona a economia, com praias mais limpas que atraem turistas, geram renda e valorizam imóveis. Inserida no cotidiano de diferentes cidades da região, a Baía também evidencia ganhos que vão além do meio ambiente e alcançam a saúde da população e a preservação dos rios, resultado direto de uma transformação que começa na infraestrutura e chega ao dia a dia.