Conheça novas áreas de proteção ambiental no Cerrado e no Pantanal
Por Agência Brasil
Publicado em 23/03/2026 19:26:31Em Minas Gerais, a novidade é a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas. No Mato Grosso, foram ampliadas as áreas do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (PNPM) e a Estação Ecológica do Taiamã.
O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (22), durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, que acontece em Campo Grande.
A gestão de UC é da responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
“A medida foi construída com base em evidências técnicas, escuta qualificada e cooperação institucional consistente, que reforça a proteção de áreas essenciais para o pulso de inundação do Pantanal, fenômeno que sustenta sua biodiversidade, regula os ciclos ecológicos e garante a resiliência desse sistema único frente à mudança do clima”, explicou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
“Igualmente importante é a criação da nova UC no Cerrado, que alia justiça social e conservação, e foi construída com a participação direta das comunidades geraizeiras”, acrescentou Marina Silva.
Veja, abaixo, mais detalhes sobre Unidades de Conservação ampliadas e a nova reserva:
Taiamã
A Estação Ecológica do Taiamã foi criada pelo Decreto nº 86.061, de 2 de junho de 1981.
Ela abrange o município de Cáceres, no Mato Grosso, a 220 quilômetros da capital Cuiabá. Com a ampliação, a área total da estação vai passar de 11,5 mil para 68,5 mil hectares.
Segundo informações do ICMBio, Taiamã é uma ilha fluvial delimitada pelo Rio Paraguai e constituída principalmente por campo inundável, com uma variedade grande de ambientes aquáticos - como lagoas permanentes, temporárias, lagoas de meandro e corixos.
O nome da estação tem origem na gaivota pescadora Taiamã, também conhecida como Trinta-réis (Phaetusa simplex).
A UC permite a sobrevivência e a reprodução da fauna ictiológica (conjunto de peixes), de diversos representantes da avifauna (conjunto de aves), além de espécies vegetais, que vão desde ervas até árvores de grande porte.
Em 2021, pesquisadores descobriram uma comunidade de onças que pescam peixes e jacarés para se alimentar. O hábito é diferente de outros felinos da espécie, que se alimentam de mamíferos terrestres.
A ampliação da estação ecológica era uma demanda antiga de pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), que a defenderam em consulta pública realizada pelo ICMBio no fim do ano passado.
“Pesquisas científicas demonstram que a área atual não é suficiente para proteger adequadamente a população de onças-pintadas e as 131 espécies de peixes identificadas”, ressalta o professor da Unemat, biólogo, doutor em Ecologia e Recursos Naturais, Claumir Cesar Muniz.
“A ampliação garantirá território suficiente para manter a viabilidade genética da onça e proteger os berçários naturais de peixes”, explicou o professor da Unemat.
“Para além desses serviços, é importante também destacar que maior área conservada significa mais sequestro de carbono, regulação climática e purificação da água, beneficiando diretamente a qualidade de vida humana”, destacou o professor e pesquisador Ernandes Sobreira.
Parque Nacional do Pantanal
O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (PNPM) foi criado pelo Decreto nº 86.392, de 24 de setembro de 1981.
Ele abrange o município de Poconé, no Mato Grosso, a cerca de 100 quilômetros da capital. Com a ampliação, a área total do parque vai passar de 135,9 mil para 183,1 mil hectares.
Os limites do parque incluem o Rio Paraguai, ao sul e a oeste; o Rio Caracará Grande, a noroeste; o Rio São Lourenço, a sudeste; o Rio Caracarazinho, a leste, e zona de inundação periódica, de influência dos rios Alegre e Caracarazinho, ao norte.
Também tem uma ligação com a Área Natural de Manejo Integrado San Matias, localizada na Bolívia.
O parque é considerado de alta inundação, por períodos de até oito meses. Além da água do Rio Paraguai, recebe água do São Lourenço, por transbordamentos do leito durante as cheias.
O ICMbio divulgou uma lista de espécies ameaçadas, que são protegidas nessa UC.
Entre elas, estão o Gato-maracajá, o Tamanduá-bandeira, a Onça-pintada, Jacu-de-barriga-castanha, Tatu-canastra, Ariranha, Caboclinho-do-sertão, Estilete e Cervo-do-pantanal.
Reserva no Cerrado
A nova Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas vai ter 40,8 mil hectares.
A unidade abrange áreas dos municípios de Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas, que ficam a mais de 600 quilômetros de Belo Horizonte.
A expectativa é conservar as nascentes que abastecem a região e as áreas de extrativismo.
A nova UC se conecta com outras áreas de conservação no Cerrado, como o Parque Estadual Serra Nova, e fica próxima do Parque Estadual Grão Mogol.
Segundo o governo federal, a criação também foca na proteção das comunidades tradicionais que vivem nas áreas de chapadas e vazantes drenadas pelos córregos Tamanduá, Poções e Vacaria.
É o caso dos os geraizeiros, que vivem na região desde, pelo menos, o século 19. A UC poderá reduzir as vulnerabilidades sociais e assegurar direitos territoriais.
“A criação da reserva reconhece a importância histórica das comunidades geraizeiras, que há gerações cuidam da natureza. A nova reserva protege seus territórios e fortalece um modo de vida que sabe viver em equilíbrio numa região de encontro entre o Cerrado e a Caatinga”, disse Mauro Pires, presidente do ICMBio.
“Cada nova área protegida significa mais cuidado com nossas florestas, nossos rios e nossa biodiversidade. Significa também mais força no enfrentamento do aquecimento global, como a própria ciência já demonstrou”, ressaltou Mauro Pires.