5 propostas avançam à fase final de concurso de arquitetura do Parque do Bixiga
Por Agencia Estado
Publicado em 08/04/2026 20:48:09A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) de São Paulo divulgou as cinco propostas selecionadas para a segunda fase do concurso que vai definir o projeto do Parque Municipal do Bixiga, que ficará no cruzamento das ruas Jaceguai e Abolição, na Bela Vista.
Em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil, foram escolhidos os trabalhos liderados pelos arquitetos:
Antonio Roberto Zanolla (São Paulo - SP);
Duarte Vaz Guedes e Silva (Rio de Janeiro - RJ);
Manoel Belisario Bezerra Viana (Umari - CE);
Marcello Cusano Lindgren (Vila Velha - ES);
Mario Arturo Figueroa Rosales (São Paulo - SP).
Não foi permitida a divulgação de imagens das propostas concorrentes durante o concurso. Os detalhes dos projetos só poderão vir a público depois do encerramento da fase 2 e publicação do resultado.
"O acesso às propostas dos projetos selecionados é restrito aos jurados da comissão avaliadora durante o andamento do concurso. Os materiais são exclusivos, uma vez que ainda passarão por novos processos de análise, discussão e julgamento por parte da comissão responsável", diz a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, em nota.
Os participantes tiveram como diretriz principal a renaturalização do Córrego Bixiga, hoje canalizado e soterrado, no trecho em que atravessa a área do futuro parque.
A comissão julgadora fez recomendações a cada uma das propostas selecionadas para a segunda fase. Agora, as equipes apresentarão os projetos à comissão, que irá determinar os três primeiros colocados. Segundo o cronograma do concurso, o resultado final deve ser divulgado no início de maio.
Parque do Bixiga foi grande sonho de Zé Celso
A área de 11,1 mil m² do parque foi adquirida pela Prefeitura de São Paulo em agosto de 2024 por R$ 65 milhões. O poder municipal e o Sisan Empreendimentos, do Grupo Silvio Santos, dono do local desde a década de 1980, entraram em um acordo após quatro décadas de mobilização popular pela construção do parque.
O principal idealizador do parque foi o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, morto em julho de 2023. Em textos-manifesto, performances e mobilizações públicas, Zé Celso juntou apoiadores diversos contra a construção de edifícios no entorno do Teatro Oficina, que se localiza na Rua Jaceguai, desde os anos 1960.
Entre as vitórias de Zé Celso após a venda dos imóveis vizinhos à Sisan Empreendimentos está o tombamento da sede da companhia nas esferas municipal, estadual e federal (com diferentes perfis e propostas de proteção). O imóvel tem projeto da reconhecida arquiteta Lina Bo Bardi (conhecida especialmente pelo Masp e o Sesc Pompeia), em conjunto com Edson Elito.
A mobilização contra construções no entorno do parque cresceu especialmente após 2000, quando foi aprovado um projeto para construir um shopping no local. Outra proposta que incorporava o teatro ao centro comercial foi apresentada quatro anos depois, também criticada pelo Oficina e posteriormente abandonada pela iniciativa privada.
Depois do shopping, foi a vez das torres. Em 2008, a Sisan propôs erguer um condomínio de três prédios. A obra teve entraves para a aprovação, chegou a obter decisões favoráveis nos órgãos municipal e estadual de patrimônio ao longo daquela década e da seguinte, mas não saiu do papel.