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Preços de medicamentos para hospitais caem 0,48% em março, aponta IPM-H

Por Agencia Estado

Publicado em 16/04/2026 13:56:06

Em março, mês que antecede o reajuste anual dos medicamentos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), os preços dos remédios voltados para os hospitais caíram, em média, 0,48%. É o que mostra o Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), desenvolvido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em dados transacionais da plataforma Bionexo.

O resultado, de acordo com a Fipe e a Bionexo, indica uma desaceleração pontual nos preços hospitalares, em um momento em que outros componentes relevantes da saúde seguem pressionados, sugerindo uma dinâmica distinta de formação de preços nesse segmento.

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o grupo Saúde e Cuidados Pessoais registrou alta de 0,42% em março, enquanto a inflação geral foi de 0,88%. No acumulado de 12 meses, serviços de saúde e planos seguem com variações superiores a 6%, evidenciando um cenário ainda pressionado no setor.

Nesse contexto, a retração dos preços hospitalares chama atenção por ocorrer na contramão desses indicadores, reforçando o peso de fatores como negociação, composição da demanda e estratégias comerciais da indústria nesse mercado, observam as duas instituições.

A retração foi observada na maior parte dos grupos terapêuticos, indicando um movimento mais amplo de acomodação no período, com destaque para medicamentos do aparelho respiratório (2,70%), preparados hormonais (1,91%) e órgãos sensitivos (1,49%).

No acumulado do primeiro trimestre, o índice registra recuo de 1,05%, enquanto, em 12 meses, a queda chega a 2,78%, indicando uma trajetória de desaceleração dos preços no mercado hospitalar.

Para Herbert Cepêra, Diretor Executivo da Bionexo, o resultado de março, às vésperas do reajuste da Cmed, reforça que o mercado hospitalar segue uma dinâmica própria de formação de preços. "Enquanto outros componentes do custo da saúde seguem pressionados, os medicamentos hospitalares apresentam, no curto prazo, um comportamento distinto, mais ligado à dinâmica de negociação, à composição da demanda e à estratégia da indústria do que à inflação geral", afirma.

Segundo o executivo, o momento também reflete um período de acomodação antes do reajuste regulado, o que pode influenciar decisões comerciais e de compra ao longo da cadeia. "Isso não elimina pressões pontuais, especialmente em itens de maior valor agregado e dependentes de importação, mas indica um ambiente de maior estabilidade neste momento do ciclo", completa.

Falando pela Fipe, o economista e pesquisador da entidade Bruno Oliva avalia que "o resultado ganha relevância por ocorrer às vésperas do reajuste anual da Cmed, sugerindo que o mercado hospitalar segue uma dinâmica distinta do varejo farmacêutico. A valorização do real no período também contribui para aliviar parte das pressões sobre medicamentos importados, especialmente os de maior valor agregado".

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