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Polícia mira esquema de pirâmide que gerou prejuízo milionário

Quadrilha atua desde 2020 e fez centenas de vítimas com falsas promessas de investimentos de alta rentabilidade

Por Ana Fernanda Freire

Publicado em 17/04/2026 11:54:10 Atualizado em 17/04/2026 11:54:10
Igor Aguiar foi preso em Icaraí, em Niterói, e levado à Cidade da Polícia
Rio - A Polícia Civil realiza, nesta sexta-feira (17), uma operação contra uma organização envolvida em golpes financeiros por meio de esquema de pirâmide, responsável por prejuízos superiores a R$ 7 milhões. Ao todo, os agentes buscam cumprir 11 mandados de prisão na capital fluminense, Niterói e São Gonçalo. Até o momento, um homem foi preso.
Detido em Icaraí, Zona Sul de Niterói, Igor Aguiar Rodrigues Gonçalves é apontado como integrante do "núcleo comercial" da quadrilha, responsável pela captação e manutenção das vítimas. Contra outro suspeito, Luiz Gustavo de Oliveira Fernandes, parceiro no golpe, que já estava preso em Bangu desde 2022, também foi cumprido outro mandado de prisão.
Segundo investigações, o grupo atua desde, pelo menos, 2020 e lesou centenas de vítimas com falsas promessas de investimentos de alta rentabilidade. Eles usavam redes sociais para ostentar uma vida de luxo e atrair novos investidores.
As apurações indicam ainda que os envolvidos utilizavam empresas de fachada para captar recursos, simulando operações lícitas no mercado financeiro.

O esquema funcionava no modelo conhecido como "pirâmide financeira", no qual os rendimentos pagos aos primeiros investidores eram provenientes dos valores investidos por novos participantes. A movimentação financeira do grupo pode ser ainda maior.
De acordo com o delegado Marcos André, responsável pela investigação, todos os suspeitos já foram denunciados por crimes contra a economia popular, estelionato e por integrar organização criminosa.

"Essas pessoas estão operando um esquema de pirâmide. Elas oferecem no mercado a possibilidade de investimento de alta rentabilidade, sem risco, com ganhos superiores aos praticados. Então, as pessoas são atraídas para esse tipo de proposta, mas é importante que saibam que não há, na verdade, produção. Esse investimento não gera lucro. Na prática, a remuneração das vítimas é feita com o dinheiro de novas vítimas", reforçou.

O delegado esclareceu que, a partir do momento em que o grupo não consegue pagar os investidores, o esquema desmorona.
"Os operadores pegam todo o dinheiro que conseguiram com o esquema criminoso e, na verdade, somem. Nós vamos continuar no encalço dessas pessoas, porque a nossa missão agora é localizá-las e prendê-las. Temos notícias de que foram ajuizadas cerca de 165 ações cíveis por vítimas que pretendem reaver os valores investidos. Há histórias tristes, de pessoas que perderam R$ 1,5 milhão, de outras que contraíram empréstimos consignados para investir e acabaram ficando com a dívida”, explicou.

Marcos destacou que os prejuízos podem ultrapassar R$ 7,5 milhões. "Essa é uma estimativa muito baixa, feita apenas com base nessas ações cíveis. Na verdade, temos informações seguras de que esse esquema criminoso movimentou mais de R$ 50 milhões. A proposta é muito tentadora, porque eles prometem rendimentos acima do mercado. Então, as pessoas acreditam que vão conseguir fazer dinheiro com dinheiro", disse.

O delegado alertou para que a população redobre a atenção diante de propostas desse tipo. "É muito importante que as pessoas se certifiquem de quem está operando, se essas pessoas têm registro na Comissão de Valores Mobiliários e qual é o objeto do investimento, para que possam investir de forma segura. Dificilmente haverá um investimento de baixo risco com rendimento muito alto. Só isso já é suficiente para desconfiar e verificar se o investimento é legítimo."
A ação ocorre através da Delegacia de Defraudações (DDEF) e conta com apoio de agentes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE). 
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos envolvidos. O espaço está aberto para eventuais manifestações.