Geral

Delegado detalha investigação sobre morte de operário no palco de Copacabana

Policiais da 12ª DP (Copacabana) fizeram uma perícia na estrutura do show da Shakira

Por Fred Vidal

Publicado em 27/04/2026 14:03:45 Atualizado em 27/04/2026 14:03:45
Agentes da Polícia Civil e do Crea-RJ periciaram a montagem do palco em Copacabana, na manhã desta segunda-feira (27)
Rio – A Polícia Civil fez, na manhã desta segunda-feira (27), uma perícia complementar na estrutura onde o serralheiro Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, morreu durante a montagem do palco para o show da Shakira na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio. 
Além das equipes da 12ª DP (Copacabana), compareceram os funcionários da Auditoria do Trabalho e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). Também presente, o delegado Ângelo Lages, titular da distrital responsável pela investigação, destacou que o jovem sofreu uma morte trágica e se solidarizou com a família do operário.
“Pretendemos avançar no sentido de entender se houve um acidente ou homicídio culposo. Também tínhamos a ideia de um dolo eventual, só que pelo que percebi hoje, nessa análise preliminar, isso não aconteceu. Então vamos trabalhar com as duas possibilidades e concentrar os trabalhos no equipamento. A gente precisa apurar se houve negligência, imprudência, uma inobservância de um dever de cuidado que gerou um crime, ou seja, um homicídio culposo, embora não houvesse a intenção de matá-lo. Ou se houve uma situação de culpa exclusiva da vítima, ou seja, dele ter se colocado em risco e ter acontecido o óbito”, afirmou Lages.
O delegado declarou ainda que a dinâmica do acidente pode ser esclarecida em um mês: “Ali, são dois elevadores, um do lado do outro. A princípio, o que a gente entendeu foi que ele [Gabriel] estava soldando uma peça e ele teria dado um comando para um outro operador baixar o elevador do alto, e assim, ele acabou ‘prensado’ entre os dois equipamentos. A perícia foi feita e nós acreditamos que, no prazo de 30 dias, eles vão oferecer esse laudo.”
O caso é investigado pela 12ª DP (Copacabana) como lesão corporal culposa provocada como acidente de trabalho. Por conta do trabalho dos policiais, a montagem do palco precisou ser paralisada.
Gabriel sofreu esmagamento das pernas em um sistema de elevação. Antes da chegada do Corpo de Bombeiros, ele já havia sido retirado do equipamento por outros funcionários. O serralheiro chegou a ser encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu.
Em imagens que circulam nas redes sociais, foi possível ver o desespero de vários funcionários ao tentarem retirar o equipamento de cima da vítima. Para isso, eles chegaram a utilizar uma serra e precisaram cortar partes da estrutura de ferro. 
Morador de Magé, na Baixada Fluminense, Gabriel era casado e deixa três filhos.
*Reportagem colaboração da estagiária Ágatha Araújo