Primeira mulher a assumir a PM de SP, coronel promete aumentar o combate à violência doméstica
Por Agencia Estado
Publicado em 29/04/2026 16:31:35A coronel Glauce Anselmo Cavalli assumiu nesta quarta-feira, dia 29, o comando da Polícia Militar de São Paulo, e anunciou que o combate à violência doméstica e familiar será a sua prioridade. "O enfrentamento da violência doméstica e familiar será prioridade operacional no nosso comando", afirmou, durante a cerimônia de posse na Academia Militar do Barro Branco, na zona norte de São Paulo. Ela é a primeira mulher a assumir o comando da corporação desde 1831.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reforçou as palavras da coronel, afirmando que "mais do que nunca, o combate à violência contra a mulher é uma prioridade para o Estado de São Paulo". "Ela (Glauce) servirá de fonte de inspiração para todas as mulheres. É um dia muito especial para todos nós."
A escolha da coronel acontece no momento em que Tarcísio enfrenta dificuldade entre o eleitorado feminino em sua campanha de reeleição. Na pesquisa Quaest, divulgada nesta terça-feira, ele tem 48% de aprovação entre as mulheres, uma queda de nove pontos porcentuais em relação aos 57% registrados na última sondagem do instituto, realizada em agosto de 2025.
A coronel justificou a sua escolha afirmando que "o serviço da Polícia Militar é uma grande oportunidade de auxílio e de servir ao próximo. Os casos de violência doméstica ocorrem, na maioria das vezes, em ambiente familiar". "Ela (a violência contra a mulher) não é algo novo, sempre existiu", afirmou.
Patrulhas lilases e atendimentos por videochamada
Glauce lembrou a criação das delegacias da mulher e das cabines lilases (serviço da PM focado no atendimento especializado e humanizado a mulheres vítimas de violência doméstica). E anunciou a criação, a partir de maio, das chamadas patrulhas lisases, formadas por homens e mulheres que serão acionados para atender a esse tipo de delito. Elas serão articuladas com o monitoramento de agressores feito por tornozeleiras eletrônicas e serão acionadas se o homem se aproximar da vítima.
"Consolidaremos as cabines lilases nos centros de operações militares, ampliaremos o atendimento por videochamadas e abriremos os nosso quartéis para acolher essas vítimas, com a implementação dos espaços lilases em salas de operação para garantir acolhimento humanizado em todo o Estado", afirmou a coronel no discurso de posse.
O evento contou com a participação dos chefes dos Três Poderes do Estado. Estavam lá, além do governador, o chefe da Assembleia Legislativa, deputado André do Prado (PL), e o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Francisco Eduardo Loureiro.
Também estiveram na cerimônia o comandante militar do Sudeste, general Ricardo Piai Carmona, além de dez deputados estaduais, quatro vereadores, o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB). A grande ausência foi a do deputado federal Guilherme Derrite (PP), que foi durante três anos secretário da Segurança Pública.
"Que essa conquista histórica não represente um ponto de chegada, mas um novo marco de avanço, no qual o mérito, a coragem e o compromisso com o bem público continuem a nortear a nossa instituição", afirmou a coronel. A PM de São Paulo tem 81 mil policiais, dos quais 11,7 mil são mulheres.
Ela substitui o coronel Jose Augusto Coutinho, que foi aconselhado a pedir demissão depois que depoimentos prestados à Corregedoria da Polícia Militar indicarem que não teria tomado providências contra policiais da Rota, na época seus subordinados, acusados de fazer segurança para a empresa Transwolff, ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Os policiais também são acusados de receber propina de R$ 5 milhões para vazar informações para a cúpula da facção a fim de evitar a prisão de seus líderes.
Indagado se a posse de Glauce encerraria a crise na Polícia Militar, Tarcísio negou problemas na corporação. "Não há crise na Polícia Militar. A polícia sempre estará aberta para apurações e investigações, desvios de conduta sempre serão apurados e punidos na forma da lei, como sempre aconteceu. A instituição é muito maior do que isso. A instituição é composta por pessoas, tem tradição e valores e orgulha o Estado."
Durante o desfile da tropa, quase todos os pelotões eram comandados por mulheres. Um grupo exclusivo de oficiais femininas esteve no desfile. Glauce vem de uma família de militares - ela tem um irmão coronel do Exército e uma irmã policial militar. Seu marido, o tenente Luiz Fernando Casali, sofreu um acidente que o deixou paraplégico quando voltava do trabalho para casa. Atualmente, é atleta paraolímpico (rugbi de cadeira de rodas) e membro do Comitê Paraolímpico Brasileiro.