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Greve na USP: reitoria faz proposta final e encerra negociação com estudantes

Por Agencia Estado

Publicado em 04/05/2026 17:16:26

A Universidade de São Paulo (USP) informou, nesta segunda-feira, 4, que encerrou as negociações com os estudantes da universidade, que estão em greve desde 15 de abril. A decisão acontece depois de três reuniões nos quais foram obtidos avanços, na visão da reitoria.

Os estudantes ainda não se manifestaram oficialmente sobre a nova posição da USP. Nesta segunda-feira, eles participam de uma manifestação na região central da cidade durante a reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Os estudantes da USP tentam ampliar a paralisação e conseguir apoio da Unesp e Unicamp.

"Hoje é o grande dia de unificarmos a luta das universidades estaduais por mais orçamento, permanência e em defesa de uma educação pública de qualidade", diz convocação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) nas redes sociais.

Estudantes de 104 cursos da USP continuam em greve, segundo o DCE. O principal ponto de divergência entre a USP e os alunos é o aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), principal política de assistência socioeconômica da USP. Hoje, o benefício varia entre cerca de R$ 330 (com moradia) e R$ 885 mensais, além de gratuidade nos restaurantes.

A USP propõe um reajuste com base no índice IPC-FIPE. Assim, o valor mensal do auxílio passaria a R$ 912 (integral) e de R$ 340 (parcial com moradia). Os estudantes defendem que o valor passe a equivaler a um salário mínimo paulista (R$ 1.804) e pedem a ampliação do programa, que atende atualmente 15.869 alunos.

Em abril, o programa atendeu 17.587 estudantes de graduação e de pós-graduação, nas contas da reitoria. O orçamento de 2026 para auxílios, bolsas, moradia estudantil, restaurantes, esporte e assistência à saúde para os alunos da USP é de R$ 461 milhões.

"É evidente que tivemos vários avanços pela quantidade de cursos em greve e pelo tamanho da mobilização, mas isso é muito pouco pelo tamanho da greve", diz o estudante Marcos Lustosa, do DCE.

As aulas da pós-graduação, atividades de extensão universitária, bancas de defesa de trabalhos de conclusão, consultas à biblioteca e eventos previamente marcados não serão afetados pela greve.

Má qualidade dos 'bandejões'

As condições dos restaurantes universitários também estão no centro das críticas. Estudantes relatam problemas de qualidade, incluindo denúncias recentes de comida estragada e presença de larvas na Faculdade de Direito.

A Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) afirma que inspeção da Vigilância Sanitária não encontrou irregularidades no local e que "uma equipe especializada realiza diariamente controle de qualidade das refeições". Desde o início de 2026, foram realizadas cinco visitas de autoridades sanitárias nos restaurantes da USP, diz o órgão.

A greve teve como estopim a criação de um bônus para docentes, a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace). Após pressão, os trabalhadores conquistaram isonomia e encerraram a paralisação.

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