Em greve, estudantes da USP bloqueiam reitoria com cordão humano e cobram novas negociações
Por Agencia Estado
Publicado em 07/05/2026 13:31:42Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) bloquearam com um cordão humano a entrada da reitoria da instituição, na manhã desta quinta-feira, 7, em meio à greve estudantil que já dura três semanas e cobra ampliação da assistência socioeconômica e melhores condições de permanência universitária.
O ato começou no início da manhã, por volta das 6h, quando alunos se organizaram lado a lado ao redor do prédio. Uma segunda manifestação está agendada para as 14h.
Entre as reivindicações também está o retorno das negociações com a gestão da universidade, que encerrou tratativas no início da semana após três reuniões nos quais foram obtidos avanços, na visão da reitoria. A decisão foi criticada pelos estudantes.
Em publicação nas redes sociais, o DCE Livre da USP, afirmou que a ocupação é uma resposta à postura da administração da universidade diante da paralisação. "Se a reitoria não vai nos receber hoje [quinta-feira], não tem motivo para ela funcionar", escreveu o DCE.
Na publicação os estudantes também criticam declarações do reitor, Aluisio Segurado, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, interpretadas pelo movimento como tentativas de enfraquecer a mobilização. "Quem decide quando a greve dos estudantes acaba são os próprios estudantes", afirmam.
O principal ponto de divergência entre os alunos e a reitoria é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), principal política de assistência socioeconômica da universidade. Atualmente, os benefícios variam entre cerca de R$ 330 para estudantes com moradia e R$ 885 mensais para auxílio integral, além da gratuidade nos restaurantes universitários.
A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE. Com isso, o valor integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial com moradia subiria para R$ 340. Os estudantes, no entanto, reivindicam que o benefício seja equivalente ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.804, além da ampliação do programa.
Segundo a reitoria, o PAPFE atendeu 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em abril. O orçamento previsto pela universidade para 2026 destinado a auxílios, bolsas, moradia estudantil, restaurantes universitários, esporte e assistência à saúde é de R$ 461 milhões.
As condições dos restaurantes universitários também estão entre as principais reclamações dos estudantes. Nos últimos meses, alunos relataram problemas recorrentes de qualidade da alimentação, incluindo denúncias de comida estragada e presença de larvas no restaurante da Faculdade de Direito.
A greve teve como estopim a criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), um bônus destinado a docentes. Após pressão e mobilização, os trabalhadores conquistaram isonomia na medida e encerraram a paralisação. Já os estudantes decidiram manter o movimento grevista e ampliar as reivindicações ligadas à permanência estudantil.