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Ex-padrasto de MC Ryan, 'Diabo Loiro' é alvo de operação contra lavagem do PCC com rodeios

Por Agencia Estado

Publicado em 08/05/2026 11:51:10

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram na manhã desta sexta-feira, 8, a Operação Caronte para desarticular um grupo criminoso que teria lavado dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de transporte e rodeios. O principal alvo é Eduardo Magrini, conhecido como "Diabo Loiro", apontado como líder do esquema e ex-padrasto do funkeiro MC Ryan SP, que também foi alvo recente de uma investigação sobre branqueamento de ativos milionários da facção.

A reportagem tenta contato com a defesa de Eduardo Magrini. O espaço está aberto.

"Diabo Loiro" foi preso em outubro do ano passado em uma investigação do Gaeco, braço do Ministério Público de combate aos tentáculos do crime organizado, por suspeita de envolvimento em um plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.

A Operação Caronte cumpre 11 mandados de busca e apreensão em Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga, cidades do interior paulista. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas dos investigados, além da indisponibilidade de veículos e outros bens ligados aos suspeitos.

Até o momento, a operação apreendeu caminhões, automóveis, dinheiro em espécie, além de bois e cavalos. Entre os animais recolhidos está o boi "Império", considerado o terceiro mais bem ranqueado do Brasil.

O filho de Eduardo Magrini, Mateus Magrini, também é investigado e alvo de buscas. Segundo a investigação, ele teria movimentado recursos ilícitos por meio de uma empresa do ramo musical.

Mateus foi alvo da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, ao lado de MC Ryan, em 15 de abril. O funkeiro, segundo a investigação, é ex-enteado de "Diabo Loiro".

A investigação do Gaeco descortinou uma rede formada por sócios "laranjas", empresas de transporte e uma companhia do ramo de rodeios usada para movimentar recursos financeiros do PCC. Os investigadores também apontam vínculos de "Diabo Loiro" com as empresas e destacam que o empresário ostentava patrimônio milionário nas redes sociais.

Segundo a Promotoria, o esquema de lavagem com rodeios e empresas de transporte opera desde 2016. As suspeitas se intensificaram após análises fiscais e bancárias realizadas pelo Laboratório de Lavagem de Dinheiro do Ministério Público e por relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que indicaram movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

"Diabo Loiro" é apontado como integrante relevante do PCC no interior paulista. Segundo o Ministério Público, Magrini acumula cerca de 30 anos de envolvimento em crimes e possui condenações por tráfico de drogas e uso de documentos falsos desde 1998.

Nas redes sociais, antes de ser preso, Magrini se apresentava como "influencer digital" e compartilhava com cerca de 105 mil seguidores fotos em viagens, rodeios e ao lado de carros de luxo.

O nome da operação faz referência a Caronte, personagem da mitologia grega responsável por transportar as almas dos mortos pelos rios até o submundo de Hades.

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