Vice-prefeito de SP sugere uso de produtos da Ypê apesar de alerta da Anvisa
Por Agencia Estado
Publicado em 11/05/2026 11:58:25O vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL), sugeriu nas redes sociais o uso de produtos da Ypê, apesar de alertas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para evitar itens da marca nos quais foram identificados falhas graves no processo de produção.
Em um vídeo publicado no Instagram no sábado, 9, Mello Araújo aparece lavando louça com um detergente da Ypê. Na pia, outros produtos da marca estão posicionados. "Aqui em casa, gente, é só produto Ypê. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira", disse.
"Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê. Quem tem produtos Ypê, posta no Instagram. Marca a Ipê. Vamos mudar essa história, vamos mostrar nossa força", acrescentou.
Procurada, a Prefeitura de São Paulo não retornou às tentativas de contato do Estadão. O espaço segue aberto.
Na semana passada, a Anvisa determinou o recolhimento de diversos itens da Ypê devido a falhas graves no processo de produção. A Química Amparo, responsável pela marca, conseguiu suspender a proibição de comercialização dos lotes até que o caso seja julgado pela diretoria da agência. No entanto, a Anvisa e o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP), ligado à Secretaria de Saúde do Estado, mantiveram a recomendação de evitar o uso.
Em outra publicação, o vice-prefeito afirmou ter trabalhado na Ypê e defendeu os produtos da marca. "Se tem uma coisa que eu não gosto é de injustiça. E uma grande injustiça está sendo cometida", afirmou.
"É uma empresa 100% familiar, que tem um regime rigoroso de qualidade, que tem também um controle muito forte de compliance", acrescentou. "Se o produto tivesse algum problema, eles seriam os primeiros a recolher ele do mercado."
Mello Araújo disse ainda que as medidas aplicadas contra a Ypê fazem parte de um "mal entendido provocado pela Anvisa" e que a situação deve ser resolvida "o mais rápido possível". "O prejuízo já foi causado, destruindo uma empresa brasileira", afirmou.
O vice-prefeito também compartilhou vídeos de outras pessoas usando produtos da marca. Um deles foi publicado pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), que levantou a hipótese de que a Anvisa estaria agindo contra a Ypê devido a uma doação feita pela empresa à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.
"Eu quero ver também mandar suspender e acabar de uma vez por todas com o tigrinho", disse Azevedo, em referência a um jogo de apostas. "Quero ver vocês ser leão (sic) como estão sendo agora com a Ypê e mandarem acabar de uma vez por todas com o tigrinho, que está acabando com a família brasileira", afirmou.
Entenda o caso
Na última quinta-feira, 7, a Anvisa determinou o recolhimento de diversos produtos da Ypê após identificar descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia, produção e controle de qualidade.
Em nota, a agência afirmou que os problemas identificados comprometem os requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF), com potencial risco de contaminação microbiológica - ou seja, presença indesejada de microrganismos potencialmente nocivos nos produtos.
No dia seguinte, a Ypê apresentou recurso contra a decisão da Anvisa e conseguiu suspender a proibição de comercialização de lotes de seus produtos até que o caso seja julgado pela diretoria da agência.
A Anvisa, no entanto, manteve a orientação de não utilização dos produtos. A medida vale para todos os lotes com numeração final 1 fabricados pela Química Amparo, na unidade de Amparo (SP).
A recomendação de evitar o uso também foi mantida pelo CVS. "O CVS esclarece que a avaliação técnica sobre o risco sanitário permanece mantida. A apresentação de recurso administrativo pela empresa segue o rito previsto na legislação vigente e será analisada pela Anvisa, sem alterar, até o momento, a avaliação decorrente da inspeção", disse.
Em nota, a Química Amparo afirmou que laudos técnicos independentes indicam que os produtos são seguros.
A empresa disse que "continuará em diálogo constante e permanente com a Anvisa e demais autoridades, sempre baseada em critérios científicos e subsídios técnicos, como forma de encontrar uma solução definitiva para a situação, no menor tempo possível".