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Greve dos estudantes avança na Unicamp após paralisação na USP; 16 dos 69 cursos aderem

Por Agencia Estado

Publicado em 11/05/2026 13:59:25

Embalados pela greve iniciada na USP no dia 14 de abril, estudantes da Universidade de Campinas (Unicamp) também decidiram parar desde o final da semana passada. Servidores engrossam o movimento a partir desta segunda-feira, 11.

A Reitoria da Unicamp informa que "mantém diálogo contínuo com as entidades estudantis e direções das unidades do campus de Limeira e de Campinas reafirmando o compromisso com a busca de soluções consensuais".

A adesão ocorre de forma gradual. Segundo os alunos, ao menos 16 cursos já aprovaram paralisação, entre eles, Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Artes Cênicas e Engenharia de Alimentos. A Unicamp tem 69 cursos.

Formações tradicionais, como Ciências Humanas (CACH), Medicina (CAAL), Pedagogia (CAPMF) e Economia (Caeco), ainda não realizaram suas respectivas assembleias.

Questionada sobre o número de cursos paralisados, a reitoria informou que a "universidade funciona normalmente no dia de hoje [segunda-feira, 11]".

A decisão pelo indicativo de greve geral foi aprovada em assembleia na quinta-feira, 7, que reuniu mais de mil estudantes, segundo o movimento estudantil. Agora, cada curso vem realizando assembleias próprias.

Entre as principais reivindicações estão:

construção da moradia estudantil no campus de Limeira;

melhorias nos restaurantes universitários e no transporte interno;

fortalecimento de políticas de combate à violência sexual e étnico-racial e de apoio psicológico;

os estudantes reclamam de falta de professores, déficit de funcionários técnicos.

"Temos demandas específicas que vão culminar na demanda por maior orçamento para educação", afirma a estudante de Economia Laura Khaddour, representante discente no Conselho Universitário da Unicamp.

A Reitoria afirma que "estudos contínuos seguem em pauta para viabilizar melhorias no âmbito das possibilidades orçamentárias".

Governador critica greve na USP

Na semana passada, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticou a paralisação dos estudantes da USP, iniciada no dia 14 de abril.

"Se eu fosse estudante, eu estaria estudando o máximo que eu pudesse, aproveitando com unhas e dentes as oportunidades", disse. "Para mim, não entra na minha cabeça a greve dos estudantes. Estudante, na minha opinião, tem que estudar."

O governador afirmou ainda que o movimento tem conotação política. "A greve tem um cunho político, isso está bastante claro. Eu lamento a perda de oportunidade. A gente está falando de uma universidade de ponta, que tem um recurso garantido do Estado."

Autarquização da área de saúde da Unicamp

Outro ponto central da mobilização é a oposição ao projeto de autarquização da área da saúde da universidade. A proposta, aprovada pelo Conselho Universitário da Unicamp em dezembro, sugere um novo modelo de gestão para a área da saúde, que passaria a ser vinculada à Secretaria Estadual de Saúde para fins orçamentários.

Por outro lado, ela permaneceria ligada à Unicamp no campo do ensino, do treinamento de estudantes de cursos de graduação e pós-graduação e do aperfeiçoamento de médicos.

Estudantes e trabalhadores temem perda de controle sobre os serviços, precarização das condições de trabalho e impactos no atendimento hospitalar. Temem também a privatização.

No momento da aprovação, o reitor Paulo Cesar Montagner disse que a proposta de autarquização é essencial para o futuro da Universidade. Hoje, a Unicamp é responsável pelo custeio da área da saúde. Neste ano de 2025, os custos com o sistema deverão atingir aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

"Da forma como está, não temos mais como crescer", afirma Montagner. "Este é um projeto de décadas. Um projeto de Estado. O que queremos é construir o futuro da Universidade".

Ato unificado em São Paulo

A mobilização dos alunos extrapola os campi do interior de São Paulo. Estudantes da USP, Unicamp e Unesp convocaram um ato unificado nesta segunda, em frente à sede do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), no centro da capital paulista. Professores e funcionários das três instituições também devem participar.

O protesto ocorre em meio ao impasse nas negociações salariais entre o Cruesp e o Fórum das Seis, entidade que reúne sindicatos e associações de docentes, funcionários e estudantes das universidades estaduais paulistas.

O reajuste oferecido foi de 3,6%, percentual estimado para a inflação calculada pelo IPC-Fipe de maio/2025 a abril/2026, ainda não fechado. O Fórum insistiu na necessidade de uma política de recuperação salarial, tendo como meta a recomposição do poder de compra dos salários em maio/2012. A reivindicação estima esse índice em 15,97%.

No centro das disputas, está a discussão sobre o futuro do financiamento das universidades. Hoje, USP, Unicamp e Unesp recebem 9,57% da arrecadação do ICMS. Com a reforma tributária, a substituição do imposto pelo IBS até 2033 deve reduzir essa fonte de receita, o que aumenta a incerteza.

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