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Neurocientista ensina como desenvolver o cérebro no SPIW: 'Inteligência é flexibilidade'

Por Agencia Estado

Publicado em 14/05/2026 16:20:51

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel subiu ao palco do São Paulo Innovation Week (SPIW) nesta quinta-feira, 14, para refletir sobre como usamos - ou desperdiçamos - a nossa própria inteligência em um contexto de excesso de informação e decisões cada vez mais terceirizadas para a IA.

No painel Pensar Melhor Para Viver Melhor, uma das cientistas brasileiras mais reconhecidas no mundo transformou conceitos complexos da neurociência em provocações sobre educação, tecnologia e comportamento.

Suzana defendeu que ninguém nasce "pronto" intelectualmente ao mencionar a diferença entre capacidade e habilidade. "Habilidade exige tempo, exposição, repetição, experiência. Exige oportunidade."

A escola, segundo ela, deveria ser entendida como esse espaço de oportunidades sistematizadas para transformar informação em conhecimento.

Como aprender a agir com inteligência?

No segundo momento do painel, a neurocientista se posicionou de forma veemente contra a passividade produzida pela automação contemporânea.

"Aprende-se a usar a inteligência com inteligência quando existem oportunidades para descobrir valores individuais, aplicar informações para abrir portas, pensar adiante e experimentar novas formas de agir."

Na visão da neurocientista, o risco do presente é usar a tecnologia justamente para eliminar as oportunidades que nos tornam mais inteligentes.

"O uso mais inteligente da nossa inteligência é não sabotar nossas habilidades pela terceirização e automação que nos roubam oportunidades."

'O que importa é o número de neurônios'

De acordo com Suzana, inteligência não é uma questão de tamanho do cérebro. "O que importa é o número de neurônios", diz a cientista, responsável pela descoberta de que o cérebro humano tem cerca de 86 bilhões de neurônios, número hoje incorporado à literatura científica mundial.

Os humanos têm, em média, 16 bilhões de neurônios corticais, o dobro dos gorilas, afirma a pesquisadora. Já os corvos, frequentemente associados à capacidade de resolver problemas complexos, possuem entre 2 bilhões e 3 bilhões de neurônios, quantidade comparável à estimada para um Tiranossauro rex.

Além da anatomia cerebral, Suzana também abordou a própria experiência de cognição. O córtex, explicou, não controla diretamente o corpo, mas recebe cópias das informações que vêm dele e as recombina. É esse processo que torna o comportamento humano flexível. "Não fazemos a mesma coisa duas vezes exatamente igual."

Foi a partir dessa ideia que ela apresentou sua definição de inteligência. "Inteligência é flexibilidade comportamental." Ser inteligente significaria conseguir agir de maneiras diferentes diante de novos cenários, sem ficar preso a respostas automáticas.

Ao longo da apresentação, Suzana desmontou também a ideia tradicional de que a evolução humana teria sido uma corrida em direção a cérebros maiores. Para ela, a história da espécie humana passa menos por "superioridade natural" e mais por oportunidade energética e tecnológica.

SPIW

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

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