Escola técnica de R$ 260 milhões quer mudar realidade de bairro no RJ: 'Poder de transformação'
Por Agencia Estado
Publicado em 14/05/2026 20:25:53Maior distrito industrial do Estado do Rio de Janeiro, o bairro de Santa Cruz, na zona oeste da capital, tem indicadores educacionais e sociais gritantes. Com ampla população jovem, o local tem altas taxas de adolescentes "nem-nem" (não estudam nem trabalham), muitos dos quais em extrema vulnerabilidade social.
Mas um empreendimento tenta mudar esse cenário. O bairro "do final da Avenida Brasil" passou a contar recentemente com um novo centro de ensino de ponta, a Escola Técnica Roberto Rocca, construída pela siderúrgica Ternium, com investimento de R$ 260 milhões.
Segundo a diretora do Instituto Ternium, Fernanda Candeias, a comunidade custou a acreditar que as instalações imponentes seriam uma escola. "Pensavam que seria um shopping", lembra.
A iniciativa foi discutida no painel Formação Técnica: Uma Engrenagem Essencial da Inovação, realizado nesta quinta-feira, 15, no São Paulo Innovation Week (SPIW), festival global de tecnologia e inovação realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.
A Roberto Rocca é a terceira escola construída pela empresa, uma das maiores produtoras de aço da América Latina - as outras duas estão na Argentina e no México - e tem desempenhado um "poder de transformação real", de acordo com Fernanda.
O projeto nasceu de um estudo realizado em parceria com a FGV Social sobre as necessidades da comunidade e das indústrias da região. A escola oferece cursos técnicos em Mecatrônica e Eletromecânica e tem a meta de alcançar 576 estudantes até 2027. Neste ano, são 384 matriculados, com até 100% de bolsa: os que pagam valor parcial têm o porcentual definido em diálogo com as famílias.
Segundo o diretor da escola, Júlio Egreja, o processo seletivo de ingresso tem duração de seis meses, e envolve um curso preparatório e entrevistas, além de critérios socioeconômicos, de delimitação geográfica (os estudantes precisam ser de Santa Cruz ou de bairros próximos) e de desempenho.
"Não nos interessa aquele de maior rendimento absoluto, mas o de maior potencial", afirma Egreja.
Formação robusta
Egreja afirma que um dos desafios específicos da implantação da escola técnica pela siderúrgica no Brasil foi atender às demandas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além do curso técnico. Segundo ele, a carga horária é de 2.400 horas de ensino regular e 2.100 horas de formação técnica.
A ideia é que, com essa formação, os alunos estejam aptos a pleitear vagas nas melhores universidades do Brasil e do exterior, podendo ou não atender às demandas da indústria local.
"Nosso objetivo é promover a mobilidade social desses jovens. Meu sonho é que possam escolher (o que vão ser)", afirma Fernanda.
Para Egreja, no futuro, "ver algum deles como presidente da Ternium vai ser muito bom".
SPIW
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.