Justiça dos EUA condena ex-marido por planejar morte de galerista no Rio
A pena do acusado, Daniel Sikkema, ainda vai ser definida
Por Agencia Estado
Publicado em 23/05/2026 14:37:00 Atualizado em 23/05/2026 15:08:24O ex-marido do galerista Brent Sikkema, assassinado a facadas em janeiro de 2024 no Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro, foi condenado nos Estados Unidos como mandante do crime. A pena do acusado, Daniel Sikkema, ainda vai ser definida. A informação, divulgada inicialmente pelo Wall Street Journal, foi confirmada ao Estadão por advogados que atuaram no caso.
A defesa de Daniel, que alega sua inocência, aguarda a fixação da pena para decidir sobre eventual recurso. A promotoria pediu prisão perpétua alegando a gravidade do crime.
Dono de uma fortuna que inclui imóveis nos Estados Unidos, em Cuba e no Brasil, Brent Sikkema foi morto aos 75 anos pelo cubano Alejandro Triana Prevez, que está preso. De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, Alejandro apontou Daniel Carrera Sikkema, que é cubano e americano naturalizado, como cúmplice e mandante do crime.
Brent era um importante galerista de Nova York e fundador da galeria Sikkema Jenkins, conhecida por representar artistas como Vik Muniz e Kara Walker.
O júri federal que deu a sentença nesta sexta-feira, 22, considerou Daniel culpado de conspirar contra a vítima, arquitetar sua morte e contratar um assassino para matar o galerista que estava passando férias na segunda residência do casal, no Rio. Na ocasião, Daniel construiu um álibi, permanecendo com o filho do casal em Nova York.
O motivo do crime seria a exclusão de Daniel do testamento de Brent, em maio de 2022. Na época, o ex-marido a entrou com ação de divórcio contra Brent na Corte Suprema do Condado de Nova York. O envio do testamento ao processo foi registrada no dia 2 de maio daquele ano. Os dois estavam casados desde dezembro de 1993, mas já havia a separação de fato desde janeiro de 2022.
Segundo o jornal americano, Daniel não demonstrou emoção quando o veredicto foi lido, nem ao ser conduzido para fora do tribunal federal de Manhattan, no Distrito Sul de Nova York. O filho, que atualmente tem 15 anos, não compareceu à leitura do veredicto.
Alejandro está preso no Brasil e aguarda julgamento.
Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, Alejandro havia trabalhado para o casal - Brent e Daniel - quando ainda morava em Cuba. Quando emigrou para o Brasil, em 2022, ele ficou desempregado e foi contratado por Daniel para matar o ex-patrão.
Ele passou a receber um auxílio financeiro, que chegou a 1,8 mil dólares, e teve a promessa de receber 200 mil dólares após a execução do combinado.
Entenda o caso
Na noite do crime, Alejandro foi até a casa de Brent, certificou-se de que o americano estava sozinho e, usando as chaves fornecidas por Daniel, invadiu o imóvel. O cubano usou uma faca retirada de um faqueiro, na cozinha, para matar o galerista em sua cama, com várias facadas. Em seguida, ele lavou a arma e recolocou no faqueiro. Antes de deixar a casa, furtou 40 mil dólares e 30 mil reais que estavam sobre uma cômoda.
O caso teve grande repercussão no Brasil. A Justiça do Rio chegou a pedir que Daniel fosse deportado para responder pelo crime no Brasil. Pouco tempo depois, o caso começou a ser investigado pela polícia americana e pelo FBI. O advogado Gregório Andrade, que atuou na defesa de Alejandro até 2024 e ainda recebe notificações judiciais do processo, diz que a condenação do mandante é justa. "É um caso complexo, transnacional, grave como todo crime desse tipo."