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Caso Henry: advogado de Jairinho deixa defesa do médico
Andamento do julgamento, no entanto, não será afetado
Por Fred Vidal, Manuella Viégas
Publicado em 26/05/2026 14:13:55 Atualizado em 26/05/2026 14:13:55Rio - Um dos advogados de Jairo Souza Santos Júnior deixou a defesa do ex-vereador no segundo dia do julgamento do caso Henry Borel, nesta terça-feira (26). À imprensa, Sérgio Figueiredo contou que tomou a decisão em protesto e solidariedade ao advogado Fabiano Lopes, que fazia parte da equipe e infartou no último sábado (23).
Nesta segunda-feira (25), a defesa de Jairinho entrou com outro pedido de adiamento do julgamento, que foi negado pela juíza Elizabeth Machado Louro, do II Tribunal do Júri da Capital. O ex-vereador chegou a destituir a equipe de advogados, mas voltou atrás pouco depois. Para Sérgio, a negativa foi uma "falta de consideração" com a situação do advogado doente.
"Ao invés de redesignar esse júri, em razão do principal advogado se encontrar num estado debilitado, com 48% do coração e 30% do rim funcionando, tivemos a continuidade desse julgamento. O que nos causou não só surpresa, mas também a falta de consideração, não só do judiciário, da magistrada, como do promotor, da própria banca de assistência de acusação e da banca da defesa da Monique. Tenho certeza que, se qualquer um ali tivesse infartado, esse júri não ocorreria. Mas porque se tratava da bancada de defesa do Jairo e optaram em continuar com essa com essa audiência", falou.
Para Figueiredo, a rejeição de todos os pedidos de nulidade apresentados pela defesa, no primeiro dia do julgamento, também contribuiu para sua decisão.
"Não ia fazer diferença nenhuma aguardar mais um, dois ou três meses. O réu é continuar preso, ele seria julgado e a sociedade teria resposta, seja por uma condenação ou absolvição, mas isso não foi considerado. Completamente transtornado com o que estava acontecendo ontem, tudo aquilo que houve na aquela audiência, eu decidi hoje apresentar uma renúncia por não concordar com o que está acontecendo", afirmou.
Segundo o advogado, Fabiano Lopes estava com o restante da equipe no hotel, discutindo o caso, quando começou a passar mal e foi levado para o hospital. "Existem informações que só o Fabiano teria. Só ele atuou em determinados processos. Como você retira do processo um advogado por conta de uma comorbidade, uma intercorrência que fugiu do controle de qualquer um. O cara infarta no meio de um estudo. Nós estávamos no hotel, no sábado, ele infartou e corremos com ele. Imagina o que aconteceu na cabeça da equipe? Perdeu um colega naquele momento. E ele está cada vez mais debilitado, porque a audiência está correndo normalmente", lamentou.
A saída do advogado, no entanto, não altera o andamento do julgamento, que começou a ouvir as testemunhas nesta terça-feira. Até o momento, apenas o delegado Henrique Damasceno, que recebeu o registro de ocorrência da morte de Henry quando estava à frente da 16ª DP (Barra da Tijuca), deu seu depoimento. No total, 27 testemunhas estão listadas no processo. O julgamento tem previsão de duração entre 5 a 10 dias.