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Pai de Henry Borel se emociona em depoimento e lembra resistência do filho em voltar à casa da mãe
Leniel Borel chorou em diversas partes do julgamento, inclusive ao detalhar a cena da equipe médica tentando reanimar o filho
Por Leonardo Brito, Fred Vidal
Publicado em 30/05/2026 11:44:23Rio - Em depoimento que levou mais de nove horas, Leniel Borel, pai do menino Henry, relembrou que o filho demonstrava resistência para ir ao apartamento da mãe, Monique Medeiros, e do padrasto, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior. A oitiva no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio, acabou por volta das 4h15 de sábado (30) e Leniel foi a 13ª testemunha a ser ouvida durante o julgamento do casal que responde pela morte da criança de 4 anos.
Durante o interrogatório, o Ministério Público exibiu mensagens de Monique contando para Leniel que o filho não queria permanecer no apartamento dela e chorava ao chegar no imóvel onde ela vivia com Jairinho. O pai do menino contou que decidiu tirar férias do trabalho para acompanhar mais de perto a rotina da criança e buscar ajuda psicológica para entender as mudanças de comportamento.
Leniel chorou em diversas partes do depoimento, inclusive ao detalhar a cena da equipe médica tentando reanimar Henry. "Foi o momento mais difícil da minha vida", desabafou.
As defesas de Jairo e de Monique concentraram o interrogatório de Leniel Borel em eventuais contradições no relato do depoente. Ao longo da oitiva, os advogados insistiram na cronologia do fim de semana que antecedeu a morte do menino, em março de 2021, e abordaram a rotina pessoal do pai de Henry antes e depois do crime.
Os advogados de Jairinho perguntaram sobre a possibilidade de Henry ter sofrido algum ferimento antes de retornar para o apartamento de Monique, o que foi negado por Leniel. Já os representantes da ré questionaram declarações do depoente contra a ex-companheira, apontando que o pai do menino teria adotado critérios diferentes para avaliar as próprias atitudes e as da mãe de Henry.
A sessão teve bate-boca, interrupções e protestos entre defesa, acusação e a própria testemunha. Em alguns momentos, a juíza precisou intervir para conter discussões e pedir objetividade. Por fim, Leniel reafirmou que, independentemente dos questionamentos sobre sua vida pessoal, o centro do julgamento precisa continuar sendo Henry.
Leniel acusa Monique de premeditar morte do filho
Ainda no início do depoimento, por volta das 19h, Leniel Borel afirmou acreditar que Monique Medeiros agiu de forma premeditada antes da morte de Henry. Ele disse que algumas atitudes da ex-mulher, vistas hoje à luz das investigações, passaram a ter outro significado. A insistência da mãe para que a criança retornasse ao apartamento no domingo, mesmo fora da rotina habitual, chamou sua atenção.
"Com todas as informações que eu tive acesso depois, eu passei a enxergar situações que antes eu não entendia. Hoje eu acredito que houve premeditação", pontuou.
A declaração levou a juíza Elizabeth Machado Louro a interromper momentaneamente o depoimento e observar que essa interpretação não havia aparecido em relatos anteriores prestados por Leniel durante a investigação.
Leniel relatou que passou todo o sábado e o domingo com o filho. Contou que os dois estiveram com amigos na piscina do condomínio, foram a uma festa infantil em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e depois passaram em um shopping para comprar brinquedos. De acordo com o depoente, a criança brincou, se alimentou normalmente e não demonstrou qualquer sinal de mal-estar.
Legistas prestam depoimento
O quinto dia do julgamento ainda teve a oitiva do perito-legista Luís Carlos Leal Prestes, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Ele disse aos jurados que a laceração hepática de Henry ocorreu em vida, descartou relação com manobras de reanimação e declarou que o menino "sofreu muito" antes de morrer.
O médico legista Luiz Airton Saavedra, assistente técnico da acusação, também depôs e reforçou a conclusão de que a criança morreu em decorrência de uma hemorragia interna provocada por laceração hepática e múltiplos traumatismos. Segundo o especialista, a dinâmica das lesões é incompatível com acidente doméstico ou com a tese da defesa de que os ferimentos teriam ocorrido durante o atendimento médico.
Relembre o caso
Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, acompanhado da mãe e do padrasto. O caso provocou forte repercussão nacional. O ex-vereador Jairinho responde por homicídio triplamente qualificado e tortura, enquanto Monique é acusada de homicídio por omissão e descumprimento do dever de proteção do filho. Ambos negam participação na morte da criança.