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Pseudomonas aeruginosa: quais os riscos da bactéria encontrada em lote de água Crystal

Por Agencia Estado

Publicado em 03/06/2026 15:51:47

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta quarta-feira, 3, que a Mineração Bom Jesus está realizando o recolhimento voluntário de um lote da água mineral natural sem gás da Crystal, marca da Coca-Cola Company, após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto. O microrganismo é o mesmo identificado em produtos da Ypê.

Fabricado em Luziânia (GO), o lote LZ1 VAL200127 3 P 200126 é composto por 374,4 mil garrafas de 500 ml, produzidas em 20 de janeiro de 2026, com validade até 20 de janeiro de 2027. Desse total, 230.443 unidades foram distribuídas no Distrito Federal, 66.768 em municípios de Goiás, 75.750 no interior de São Paulo e 1.439 no Tocantins.

O que é a Pseudomonas aeruginosa?

A Pseudomonas aeruginosa é encontrada naturalmente na água, no solo e em superfícies úmidas.

"Ela é amplamente distribuída na natureza. É difícil dizer por que tem sido encontrada com mais frequência (em produtos), mas esse tipo de contaminação costuma estar associado a falhas em medidas de produção ou controle de qualidade, justamente porque se trata de uma bactéria presente em muitos ambientes", afirma Cristiane Rodrigues Guzzo, professora do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP).

A bactéria costuma representar pouco risco para a maioria dos indivíduos. "A ingestão oral em pequenas quantidades, por pessoas saudáveis, dificilmente causará algum problema porque o organismo consegue reagir", diz Cristiane.

Alguns grupos, porém, são mais vulneráveis à infecção, como pacientes com fibrose cística, queimaduras extensas, câncer, imunossupressão, transplantados, recém-nascidos, idosos frágeis e pessoas com cateteres ou em ventilação mecânica.

Nesses pacientes, a bactéria pode causar pneumonia hospitalar grave, infecções da corrente sanguínea e sepse. "Trata-se de uma bactéria oportunista, com resistência natural a vários antibióticos", afirma o médico Luis Fernando Correia em coluna publicada no Pulsa.

Deixar a água na geladeira mata a bactéria?

De acordo com Cristiane, a agressividade da Pseudomonas aeruginosa independe da forma como ela entra no organismo. Há risco tanto por via oral, como no caso das garrafas de água, quanto pelo contato com a pele, como na situação com os detergentes.

A professora esclarece ainda que o consumo da água pertencente ao lote contaminado não é seguro em nenhuma circunstância e que não adianta resfriar ou congelar as garrafas.

"Deixar a água na geladeira achando que isso vai eliminar a bactéria não funciona", diz. "Não há como garantir que ela não sobreviva ao processo de congelamento."

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