In-Edit Brasil 2026 reúne filmes inéditos sobre Fernanda Abreu, Alceu Valença e mais
Por Agência Estado
Publicado em 16/06/2026 18:37:39A partir desta quarta-feira, 17, o In-Edit Brasil 2026 levará mais de 60 documentários musicais nacionais e internacionais ao CineSesc, na Rua Augusta, em São Paulo. O festival acontece até o dia 28 de junho e promoverá sessões a preços populares de curtas e longa-metragens sobre diversos grupos e movimentos musicais que transformaram a indústria.
A edição de 2026 do In-Edit Brasil contará com filmes sobre artistas como Boy George, Fernanda Abreu, Jacy de Oliveira, Alaíde Costa, Alceu Valença e mais. A sessão de abertura, que terá ingressos gratuitos, exibirá Fugs Film!, longa de Chuck Smith sobre o The Fugs, um dos grupos mais importantes da contracultura norte-americana e que ajudou a pavimentar o caminho para o surgimento de bandas punk.
"[Fugs Film! tem] história bacana, bem contada, e era uma peça que estava faltando dentro das coisas que a gente vai exibir no In-Edit", disse Marcelo Aliche, diretor artístico do festival, ao Estadão.
"O filme tem muito a ver com o momento atual. Sim, é uma banda desconhecida, mas é uma banda que foi percussora do movimento hippie, serviu de inspiração para o punk e, de alguma maneira, vinha alertando ao que está acontecendo hoje em dia há 60 anos."
Neste ano, uma mudança no sistema de inscrição no In-Edit levou a um recorde de títulos nacionais e internacionais inscritos para exibição no festival, com mais de 2 mil títulos sendo enviados para avaliação. De acordo com Aliche, a edição de 2026 traz uma das "melhores safras" de filmes da história do festival.
Com a programação estabelecida com bons títulos factuais, o In-Edit Brasil 2026 tomou a liberdade de incluir no cronograma sessões de Isto É Spinal Tap e Spinal Tap II, falsos-documentários dirigidos por Rob Reiner, morto em dezembro de 2025. "Spinal Tap tem o seu lugar na história, tem o seu lugar no coração das pessoas que gostam de rock. Acho bem legal a gente fazer essa homenagem ao Rob Reiner", comentou Aliche.
A programação completa do In-Edit Brasil 2026 pode ser conferida no site oficial do evento. Os ingressos estão à venda nas bilheterias das unidades do Sesc São Paulo e pela internet e custam R$10.
Além das exibições presenciais, alguns títulos como Ary, de André Weller, Arthur, o Gigante e Eletrônica: Mentes serão exibidos online gratuitamente na plataforma Sesc Digital.
Programação paralela
Além da exibição dos filmes em salas no centro da cidade, o In-Edit promove também uma série de shows espalhados por São Paulo. Fernanda Abreu, Dale Crover, Inocentes, Mário Adnet e Andrea Ernest Dias e Redd Kross se apresentarão entre 18 e 28 de junho. Já a tradicional feirinha de discos de vinil será realizada em 21 de junho, na Cinemateca Brasileira.
O festival também contará com painéis e debates relacionados aos filmes exibidos no In-Edit, com a presença de nomes como Alison Ellwood, Fafá de Belém, Emílio Domingos, Dandara Ferreira e Rafael Saar. Assim como a programação de filmes, a agenda paralela está disponível no site do festival.
Confira abaixo os destaques da programação do In-Edit Brasil 2026 e suas sinopses oficiais:
Fugs Film! (filme de abertura)
exibido na sessão de abertura do In-Edit 2026. Crédito: Chuck Smith Productions via YouTube/Reprodução
Direção: Chuck Smith
Sessões: 17/6, às 20h, no CineSESC; 27/6, às 20h, na Cinemateca Brasileira
Sinopse: Diz a lenda que The Fugs foram a primeira banda verdadeiramente underground de Nova York. Formado por poetas ligados à geração beat, como Ed Sanders e Tuli Kupferberg, o grupo misturava humor, provocação política, sexualidade e folk lo-fi em canções tão irreverentes quanto inesperadamente cativantes. A partir de um rico material de arquivo e depoimentos de artistas e cúmplices de época, o filme reconstrói a trajetória dessa formação instável e radical, precursora do espírito punk. Entre o caos criativo e a sátira afiada, emerge o retrato de uma banda pouco conhecida, mas fundamental para entender a contracultura americana dos anos 1960.
'Punks do ABC'
Direção: Jairo Costa
Sessões: 19/6, às 14h, no Spcine Olido; 21/6, às 18h, na Cinemateca Brasileira; 28/6, às 19h, no Red Star Studios
Sinopse: Surgido nas entranhas do sindicalismo dos anos 1970, o movimento punk no ABC se destacava por ser mais politizado do que os punks da capital. A partir de depoimentos de personagens que construíram essa trajetória e farto arquivo histórico inédito, o documentário traz histórias pouco conhecidas do movimento punk e da cena underground do subúrbio operário. Mais do que revisitar o passado, o filme também aponta quais caminhos futuros o movimento pode percorrer.
'Fernanda Abreu - Da Lata 30 Anos'
Direção: Paulo Severo
Sessões: 18/6, às 18h30, no CineSESC; 25/6, às 19h, no Cine Joia; 26/6, às 19h30, na Cinemateca Brasileira; 28/6, às 15h, no CCSP - Spcine Sala Paulo Emílio
Sinopse: A partir de um vasto material inédito registrado em 1995 por Paulo Severo, Fernanda Abreu conta o processo de criação e gravação do álbum Da Lata. Lançando mão de uma estética inovadora na mistura do pop eletrônico, funk e samba, o álbum se tornou um marco na música pop brasileira. Com depoimentos atuais de personagens importantes na produção do álbum, o filme é uma celebração musical e visual, revelando a personalidade única da artista e o momento social e cultural do Rio de Janeiro de 1995.
'Vou Tirar Você Deste Lugar'
Direção: Dandara Ferreira
Sessões: 18/6, às 19h, na Casa Natura; 19/6, às 17h30, na Cinemateca Brasileira; 21/6, às 16h, no Spcine Olido; 28/6, às 17h, no CCSP - Spcine Sala Paulo Emílio
Sinopse: Desafiando o moralismo vigente durante a ditadura militar dos anos 1970, Odair José tocou o coração de milhões de pessoas, tornando-se ídolo das classes sociais mais desfavorecidas. Mesmo sendo esnobado pela elite intelectual do País, ele abordou com honestidade temas espinhosos como aborto, prostituição, religião, tornando-se vítima da censura e do silêncio da indústria musical. Mais do que contar sua trajetória, Vou Tirar Você Deste Lugar nos oferece uma jornada poética sobre o imaginário subversivo de Odair.
'Big Mama Thornton: I Can't Be Anyone But Me'
Direção: Robert Clem
Sessões: 20/6, às 17h, na Cinemateca Brasileira; 27/6, às 16h, no Matilha Cultural
Sinopse: Retrato direto e elucidativo de Big Mama Thornton, uma das vozes mais potentes e subestimadas da música americana. Nascida no Alabama, Willie Mae Thornton desafiou normas de gênero com sua presença imponente e estilo marcante, abrindo caminho com interpretações viscerais como Hound Dog, antes de se tornar um fenômeno na cintura e na voz de Elvis Presley. Entre reconhecimento tardio e injustiças recorrentes, o filme revisita sua trajetória intensa com um bom material de arquivo.
'Boy George & Culture Club'
Direção: Alison Ellwood
Sessões: 18/6, às 20h, na Cinemateca Brasileira; 25/6, às 20h30, no CineSesc
Sinopse: Com humor, coração e muito glitter, a diretora Alison Ellwood mergulha na trajetória de Boy George e da banda Culture Club, um dos grupos mais marcantes dos anos 1980. Focando na relação intensa que moldou seu sucesso e suas rupturas, o documentário alterna memórias, confissões íntimas e hits como Do You Really Want to Hurt Me? e Karma Chameleon com os conflitos que fizeram da carreira do grupo uma montanha-russa. O relacionamento tempestuoso entre Boy George e o baterista Jon Moss, a explosão do segundo álbum, a fama, a pressão da imprensa sobre sua sexualidade, as drogas e a relação com os demais membros - nada é filtrado aqui. Um mergulho profundo no lado emocional por trás do brilho pop.
'Everywhere Man: The Lives And Times Of Peter Asher'
Direção: Dan Geller e Dayna Goldfine
Sessões: 22/6, às 18h, no CineSESC; 25/6, às 18h30, no Spcine Olido
Sinopse: O filme acompanha a trajetória de Peter Asher, figura importante - ainda que muitas vezes discreta - da música pop. Nos anos 1960, ficou famoso como membro da dupla Peter and Gordon, compartilhou com Paul McCartney momentos em família e de trabalho e viveu de perto algumas das grandes transformações da cultura popular. Mais tarde, tornou-se produtor e ajudou a lançar e consolidar artistas como James Taylor, Carole King e entre tantos outros. Entre memórias, arquivos e depoimentos, surge o retrato de um homem inteligente, carismático e profundamente conectado à história da música das últimas décadas.
'Massa Funkeira'
Direção: Ana Rieper
Sessões: 20/6, às 16h, na Cinemateca Brasileira; 26/6, às 16h, no Spcine Olido; 27/6, às 17h, no CCSP - Spcine Sala Paulo Emílio
Sinopse: Ana Rieper (vencedora da edição 2012 do In-Edit Brasil, com Vou Rifar Meu Coração) leva suas câmeras para o universo do funk carioca, tendo como ponto de partida o sexo. Sem moralismos, o filme revela como, através do corpo, da dança, das letras e vivências de seus artistas, o funk expressa resistência, desejo, prazer e afirmação pessoal, tornando-se força vital e cultural da periferia brasileira.
'Universo Circular - Jocy de Oliveira'
Direção: Dácio Pinheiro
Sessões: 20/6, às 15h, no CineSESC; 25/6, às 19h30, no CCSP - Spcine Sala Paulo Emílio; 26/6, às 21h, no Cine Bijou
Sinopse: Pioneira e figura central da vanguarda musical brasileira, Jocy de Oliveira introduziu no país a música eletrônica, no início dos anos 1960. Prestes a completar 90 anos, ela revisita sua trajetória, compartilhando arquivos, partituras e cartas trocadas com gigantes da música como Stravinsky, Xenakis, Berio, Cage e Stockhausen. Mantendo-se inquieta e atual, ela faz reflexões sobre o tempo, a memória e a permanência de seu gesto criativo.
'Homenagem a Rob Reiner - Isto É Spinal Tap e Spinal Tap II: The End Continues'
Direção: Rob Reiner
Sessões - Isto É Spinal Tap: 20/6, às 15h, na Cinemateca Brasileira; 27/6, às 14h, no Spcine Olido
Sessões - Spinal Tap II: The End Continues: 20/6, às 18h, na Cinemateca Brasileira; 27/6, às 18h, no Spcine Olido
Sinopse: Marco absoluto do falso documentário musical, o filme acompanha a fictícia banda Spinal Tap durante uma desastrosa turnê pelos Estados Unidos, sob o olhar do cineasta Marty DiBergi. Dirigido por Rob Reiner, o longa satiriza com precisão o universo do rock, expondo egos inflados, excessos e a teatralidade do gênero. Com diálogos em grande parte improvisados por Christopher Guest, Michael McKean e Harry Shearer, constrói um humor seco e absurdo que se tornou referência. Entre o ridículo e o genial, o filme desmonta com afeto e ironia os clichês dos documentários musicais e da própria mitologia do rock. Para curtir no volume 11.
Serviço - In-Edit Brasil 2026
Data: de 17 a 28 de junho
Locais variam de acordo com a sessão
Ingressos: R$10 (preço único)
Venda: bilheterias físicas do Cinesesc e no site oficial