Acervo da USP revela novas faces do pensador negro Milton Santos
Por Agência Brasil
Publicado em 24/06/2026 08:38:39Depois da implementação das cotas raciais nas universidades, uma nova geração de estudantes passou a exigir uma reformulação nas pesquisas sobre a participação dos intelectuais negros na formação do pensamento brasileiro. A análise é do professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e pesquisador de Milton Santos, Maurício Costa.
“A conquista das cotas raciais nas universidades públicas do Brasil permitiu não só o acesso a mais pessoas negras à universidade, mas fundamentalmente um processo de reformulação do conhecimento. De olhar para o conhecimento e dizer: onde estão os autores negros aqui?", aponta
Esse movimento tem impactado os novos estudos sobre Milton Santos, que agora estão indo além dos temas acadêmicos tradicionalmente relacionados a ele, como a reformulação da geografia e a globalização. Os estudos passaram a investigar também a relação do pensador com a área política, o movimento negro, as periferias, e o período em que esteve nos países africanos.
“Ele escreveu, por exemplo, sobre o continente africano, no momento onde tinha pouquíssima gente no Brasil falando sobre esse tema. Especialmente escrevendo sobre a África, tendo visitado o continente. Esses são aspectos que não estão tratados [até agora] na vida e na obra do professor”, diz.
Exilado durante a ditadura militar, lecionou em universidades na Europa, África e América Latina, antes de retornar ao Brasil, onde consolidou sua produção intelectual. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de São Paulo (USP).
Enfrentou o racismo estrutural dentro da academia e construiu uma obra que redefiniu a forma de compreender o espaço geográfico, articulando economia, política e sociedade. Ele se tornou inspiração e referência para outros intelectuais negros.
Falecido em 2001, aos 75 anos, as ideias de Milton Santos continuam sendo referência para análises socioeconômicas no Brasil e no mundo, com sua teoria aparecendo em pesquisas que abordam desde às dinâmicas urbanas em Gana, na África, até Londres e Paris, na Europa.