Brasil avalia que tarifaço dos EUA foi politizado mirando eleições
Por Agência Brasil
Publicado em 26/06/2026 19:34:03Ambos os governos seguem negociando um possível acordo comercial. O Brasil busca convencer os EUA de que um acordo seria mais vantajoso para os países do que as tarifas extras de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.
O tarifaço foi uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
Na última quarta-feira (24) o perfil do Itamaraty no X publicou a posição do governo brasileiro em relação ao tarifaço estadunidense, afirmando que a medida “tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. Na publicação, o Ministério das Relações Exteriores informou ainda que o Brasil segue atuando por meio dos canais oficiais de interlocução entre os governos para demonstrar que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos.
O prazo para definir a aplicação, ou não, das tarifas, é o dia 15 de julho. O governo brasileiro tem uma agenda de reuniões até lá com os representantes da Casa Branca e acredita que é possível, apesar de difícil, conseguir um acordo com os estadunidenses.
Ao mesmo tempo, existe a percepção de que o governo Trump deve evitar um acordo que possa favorecer o governo brasileiro diante a proximidade das eleições presidenciais no Brasil. Nesse contexto, essa não seria uma negociação estritamente comercial, até porque os EUA tem superávit com o Brasil, mas sim uma negociação inserida na nova política de segurança nacional de Donald Trump de buscar a reinserção dos EUA no mundo sobre novas bases.
A nova política de segurança nacional de Trump, publicada em dezembro de 2025, afirma que os EUA devem buscar a “proeminência” na América Latina enquanto área de influência de Washington, afastando atores de fora do Hemisfério da região, em um recado à China.
Nesta semana, Donald Trump compartilhou artigo que afirma que a eleição no Brasil é um dos “grandes testes” dos EUA na América Latina. O texto repercutido por Trump defende que a saída do “esquerdista” Luiz Inácio Lula da Silva favoreceria os interesses da Casa Branca.
Entenda
A recomendação da USTR para taxar o Brasil é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.
O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o protecionismo comercial unilateral de Washington.
O governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.