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Influenciador disse ter investido quase R$ 3 milhões na moeda do presidente dos Estados Unidos

Por Agencia Estado

Publicado em 03/07/2026 17:30:52

Apontado pela Polícia Civil de São Paulo como receptor de R$ 1 milhão de uma empresa sancionada pelo governo dos Estados Unidos, o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva - conhecido como Buzeira - comprou quase R$ 3 milhões em criptomoedas do presidente americano, Donald Trump, e influenciou que seus seguidores fizessem o mesmo com a perspectiva de obter ganhos elevados.

A Victory Tranding, empresa que teria realizado os repasses a Buzeira, foi sancionada na última quarta-feira, 1º, pelo governo Trump por supostas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Um relatório produzido pela Polícia Civil em junho deste ano demonstrou os elos entre o influenciador e a empresa que integraria uma rede de lavagem de dinheiro do crime organizado. Procurada, a defesa de Buzeira não se manifestou.

Em janeiro deste ano, Buzeira publicou uma série de stories no Instagram descrevendo sua experiência como "trader de criptomoedas", em especial a lançada por Trump (Official Trump). Nos vídeos, ele avalia que "essa moeda vai dar bom". "Vocês que estão entendendo desse mercado, eu acho que vale a pena comprar essa moeda", afirmou.

"Compra um pouquinho. Eu vou comprar também. Vamo embora. Bora arriscar", disse. "Aproveita que ela está baixinha (cotação). Daqui a pouco ela vai dar um soco para o alto. Vai compra. Se todo mundo acreditar, ela vai subir", prosseguiu.

"Aí você analisa: Donald Trump é o presidente dos Estados Unidos e ele vai assumir a posse na segunda-feira (20 de janeiro). Se eu fosse o dono de uma moeda, eu ia querer que ela valorizasse ainda mais. Então na segunda-feira, ela não vai cair. Vai subir ainda mais".

Após a divulgação, o influenciador mostrou o seu dashboard de investimentos para comprovar o valor aplicado na moeda de Trump. A tela apresentava uma compra de 18.929 ordens pelo preço de US$26,40, o que corresponde a pouco mais de US$ 499 mil, ou R$ 2,7 milhões.

"Rapaziada, eu sou um grande influenciador. Um monte de gente começou a comprar a moeda e ela valorizou muito. Ela estava parada e pum (sinal de alavancagem). Quem comprou na hora que eu avisei, estourou", arrematou Buzeira. "Na segunda-feira essa moeda vai valorizar e vai aumentar. Algumas pessoas vão vender. Eu já entendi esse mercado. Alguns vendem, mas quem vender vai ser burro. Deixa o Trump fazer o trampo".

O elo de Buzeira com a empresa sancionada pelo governo americano por ligações com o PCC está relacionado ao caso Corinthians e Vai de Bet. Segundo a Polícia Civil, o influenciador contava com "ótimo trânsito junto à direção corintiana" e pode ter se beneficiado de recursos desviados do Parque São Jorge por empresas ligadas ao esquema, como a Victory Trading.

"Vislumbra-se um entrelaçamento atípico de pessoas ligadas, direta ou indiretamente, à direção da agremiação lesada, com o agravante de que há fortes indícios a indicar que as sociedades empresariais em tela, bem como o influenciador citado, mantêm aparente relação com o crime organizado", afirmou a Polícia em seu relatório.

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