'Um pedaço do meu braço ficou dentro do carro'
Operador de máquina é atingido em meio ao tiroteio, mas escapa com vida
Por Ana Fernanda Freire
Publicado em 08/07/2026 00:00:00 Atualizado em 08/07/2026 00:00:00O operador de máquina Natan Gutenberg, 27 anos, foi baleado durante um intenso tiroteio em Brás de Pina, na Zona Norte, e recebeu alta na tarde de ontem. Ele estava no carro com a filha, de 11 anos, no momento em que foi atingido no braço, na noite de segunda-feira passada (6).
"Eu só senti o impacto. Meu braço já estava estraçalhado, com muito sangue. O osso tinha quebrado e eu conseguia ver meu bíceps para fora. Um pedaço do meu braço ficou dentro do carro, que está cheio de marcas de tiros. Não dá pro povo carioca viver com esse medo constante de ir ao trabalho ou visitar a família. Ninguém aguenta mais", disse Natan ao deixar o Hospital Getúlio Vargas.
O operador revelou que a mulher, a professora Renata Pellegrini, de 31, tinha acabado de buscá-lo no trabalho e que os três haviam parado para ir a uma farmácia. Ele e a filha ficaram esperando no veículo enquanto a educadora foi até o estabelecimento.
"Minha filha estava no banco de trás do carro. A gente só parou para pegar um remédio na farmácia, e do nada começou um tiroteio muito forte. Falei para ela abaixar. Ela abaixou e eu também estava abaixando, mas do nada senti uma pancada, e o braço já tinha estourado. O tiro entrou e atravessou o carro", afirmou.
Segundo ele, a família pretende se mudar da região. "Não dá pra viver assim nessa situação. A minha filha não pode nem ver sangue e viu meu braço naquela situação. Achei que ela fosse ter um infarto, falei pra ela não olhar, ficar abaixadinha. A minha esposa estava na farmácia ainda, e minha filha continuou comigo no carro", acrescentou.
Natan também agradeceu aos profissionais de saúde e falou sobre a recuperação. "Só quero agradecer a Deus, ao 20ºBPM, que prestou todo apoio até minha chegada ao hospital, a equipe médica e a enfermagem, que fizeram todo procedimento para recuperar meu braço. Está doendo bastante, mas agora é só ter repouso, tomar medicação, aguardar a recuperação e esquecer o ocorrido", frisou.
Colaborou ÉRICA MARTIN