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Novo 'Moana' chega ao cinemas; 'não queremos substituir o original', diz diretor

No papel da protagonista, está a atriz Catherine Laga'aia. Como Maui, Dwayne Johnson

Por Agência Estado

Publicado em 10/07/2026 08:45:00 Atualizado em 10/07/2026 10:35:57
Cartaz do live-action de 'Moana'

O cineasta Thomas Kail tinha um desafio complicado em mãos: fazer um remake com atores reais de Moana, um dos grandes sucessos recentes da Disney. Tinha, porém, um nível de dificuldade diferente de outros filmes que seguem com essa proposta, como A Bela e a Fera, Alice no País das Maravilhas, Branca de Neve e A Pequena Sereia. Afinal, enquanto esses outros remakes eram adaptações de histórias contadas há décadas, Moana chega com a proposta de recontar um filme lançado há apenas dez anos.

 

O resultado chegou às telonas na quarta-feira, 8, com atores reais encarnando a história da princesa que precisa reconquistar a confiança de seu povo nos mares. No papel da protagonista, a novata Catherine Laga'aia. Como Maui, Dwayne Johnson, que já tinha emprestado a voz ao semideus na animação, retorna com carisma, cabelos e músculos.

 

Ao Estadão, Kail contou como equilibrou fidelidade e reinvenção ao lidar com um material tão recente e tão amado. "Sentimos que queríamos confiar no que já funcionava, mas também não ter medo de tentar coisas novas", diz o diretor, citando cenas inéditas, uma releitura de determinada sequência e uma abordagem diferente para uma das canções, sem entrar em detalhes para evitar spoilers. "Tentamos ser abertos para servir à história, porque amamos esses personagens e amamos o caminho que ela percorre no roteiro original. Queríamos honrar isso e, ao mesmo tempo, encontrar formas de injetar surpresas agradáveis para o público".

 

Questionado sobre a pressão de refazer um filme que ainda está tão presente na memória afetiva de uma geração, o cineasta prefere outro termo. "Não sei se sinto pressão, mas sim uma responsabilidade de fazer bem", diz. Kail traça um paralelo com sua experiência no teatro, onde remontagens fazem parte da rotina. "Às vezes você faz um revival, uma versão de algo que já existia, e aquele material original pode ser algo muito querido pelas pessoas, como é o caso deste. Você só quer fazer justiça [ao original], fazer certo", diz.

 

Para ele, a intenção não é substituir. "Esperamos fazer algo que possa ficar ao lado do original, não substituí-lo. O original é lindo. Queremos algo que seja um companheiro dele", diz, sem querer se arriscar

 

Apesar de Kail falar que a ideia não é substituição e que quis criar coisas novas, é impossível não sentir que Moana é um grande copia-e-cola. As mudanças nas músicas são pequenas demais para alguma diferença e a história passa como um eco, uma repetição, apenas como um personagem mais bem trabalhado ali e outro que sumiu do outro lado.

 

Impossível, assim, não questionar os futuros dos remakes com atores reais, principalmente após o fracasso de Branca de Neve em 2025. O diretor, porém, ainda vê espaço para que Hollywood continue investindo nesse tipo de adaptação, sobretudo pelo caráter familiar do resultado.

 

"Adoro fazer trabalhos para famílias, gosto das crianças sentadas ao lado dos pais, do tio, da irmã, da avó. Gosto de ver todo mundo vindo assistir junto", diz ele. Kail acredita que os remakes funcionam como uma ponte entre gerações - mesmo questionado sobre os parcos dez anos que separam original e relançamento. "Muitas dessas animações queridas falaram com gerações diferentes. A oportunidade de apresentá-los a uma nova geração é que esta pode ser a Moana delas - e depois elas vão descobrir a outra, assim como os milhões de pessoas que cresceram com aquela Moana agora vão viver esta."

 

Os cuidados com a cultura polinésia

 

Um dos pontos mais delicados do projeto, segundo o diretor, foi o cuidado com a representação da cultura polinésia, que estrutura a narrativa. É o ponto central, aliás, que ajudou a sequência da animação, em 2025, a ganhar algum fôlego ao colocar criadores, roteiristas e diretores polinésios para contar essa história que faz parte de sua cultura.

 

"Foi uma das nossas preocupações mais constantes: como fazer com que esta história refletisse a engenhosidade, a alma, o espírito e a integridade da cultura das ilhas do Pacífico", explica. Kail diz que buscou vozes de dentro dessa cultura em posições-chave da produção. "Não é a minha cultura. Eu queria garantir que muitos dos nossos contadores de histórias, chefes de departamento e artesãos, tivessem a vivência necessária para assegurar que aquilo que buscávamos tivesse integridade e autenticidade", diz.

 

Ele cita a coreógrafa, a figurinista, os artesãos responsáveis pelos tambores e amigos do Havaí que ensinaram a equipe sobre navegação a vela e navegação celestial, além de um conselho cultural formado pela Disney com representantes de diferentes ilhas. "Eles estavam ali para responder perguntas, testar ideias e, depois, assistirem ao filme para garantir que o que estava representado tinha o mais alto nível de autenticidade", diz.

 

Enfim, as músicas

 

Com passagem consolidada nos palcos - venceu o Emmy e o Tony por Hamilton -, Kail reconhece que a experiência com musicais foi essencial para dar conta da trilha sonora que já é parte da identidade de Moana. "Este trabalho era um teste, porque exige muito de todos nós. Afinal, musicais não têm monstros de lava, animais e água, mas este tem", brinca.

 

Para ele, a música cumpre uma função narrativa. "Moana é um musical", afirma. "O coração da história está presente tanto nas cenas quanto nas músicas, e a música faz o personagem avançar e nos permite conhecê-lo mais profundamente". O diretor credita a essa trilha parte da permanência do filme no imaginário do público. "Acho que é uma das razões pelas quais a Moana de 2016 vive conosco há tanto tempo: a música vem junto. Você talvez tenha visto o filme uma, duas, cinco vezes, mas provavelmente ouviu a música milhares de vezes. Ela se torna parte do seu sangue", diz ele, citando You're Welcome.

 

Sobre o reencontro com Dwayne Johnson - que empresta a voz a Maui na animação e agora vive o personagem em carne e osso, cantando inclusive a tal canção -, Kail fala com entusiasmo. "Ele foi um parceiro terrível - quer dizer, maravilhoso", corrige-se o diretor, entre risos, referindo-se à parceria que remonta há três anos. "Estamos trabalhando nisso juntos há muito tempo, desde a escolha das locações e do roteiro até o que colocamos na tela", conta. Nos sets, diz Kail, a parceria se manteve. "Ele foi colaborativo, brincalhão, cheio de energia e muito disposto a tentar coisas novas que surgiam no dia. Uma experiência muito alegre."

 

Com a estreia, o diretor espera que o novo Moana possa conquistar um posto ao lado do original entre os espectadores. "No final do dia, é claro que o meu trabalho é tentar fazer algo do qual todos possamos nos orgulhar", diz. "E minha esperança é que ele ressoe em todo o mundo - e no Brasil - como o primeiro filme ressoou."