Caminhos da Reportagem destaca semelhanças entre Brasil e Cabo Verde
Por Agência Brasil
Publicado em 13/07/2026 08:01:23“A maioria dos cabo-verdianos torce pelo Brasil na Copa do Mundo e, desta vez, temos a nossa própria seleção. Há muito tempo que nós já descobrimos o Brasil e é bom que nesta Copa o Brasil redescubra Cabo Verde”, afirma o presidente do país, José Maria Neves.
As equipes de reportagem da teleSUR, com o repórter André Vieira, e da TV Brasil, com o repórter cinematográfico Rogerio Verçoza e o auxiliar Alexandre Sousa, chegaram à cidade de Praia, capital de Cabo Verde, alguns dias antes da estreia da seleção. Encontraram o país em clima de Copa, e o amor dos cabo-verdianos pelo futebol estava nas ruas e nos sorrisos dos torcedores. “Nos óra dja txiga”, em crioulo cabo-verdiano, quer dizer: “a nossa hora já chegou”.
Cabo Verde é um arquipélago na África formado por 10 ilhas, a menos de quatro horas em voo direto do Recife até Praia, capital do país. Existem cerca de 2 milhões de cabo-verdianos em todo o mundo, sendo 500 mil no país e 1,5 milhão no exterior. Metade da atual seleção de futebol é formada por cabo-verdianos nascidos em outros países.
“Somos dez ilhas, mas nós dizemos que somos onze ilhas, porque a décima primeira ilha é a nossa imigração, a nossa diáspora, que é uma diáspora grande nos Estados Unidos, Portugal, França, Holanda, Luxemburgo", explica Mario Semedo, presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol.
A equipe acompanhou em Cabo Verde a estreia da seleção contra a Espanha. Por lá, cada defesa do goleiro Josimar José Évora Dias, o Vozinha, era celebrada como um gol. O empate em 0 a 0 foi uma conquista histórica, e Vozinha ganhou milhões de seguidores nas redes sociais e foi um dos destaques deste Mundial. Em entrevista gravada no dia seguinte à estreia, Vozinha falou sobre a emoção que estava sentindo e os desafios que os jogadores enfrentam no seu país.
“Em Cabo Verde as dificuldades são muitas, as condições são muito poucas, os materiais esportivos são escassos. Eu sempre consegui ajudar, mesmo tirando luvas das minhas ou mesmo comprando.”
Os profissionais acompanharam também junto aos cabo-verdianos os jogos contra Uruguai, África do Sul e Argentina. O repórter André Vieira viu de perto a chegada dos jogadores a Cabo Verde, num dia 5 de julho, dia da Independência do país, conquistada em 1975.
"A gente fala muito do Vozinha. Realmente, ele se destacou de uma forma inacreditável nessa Copa. Mas vamos falar desse treinador também, o Bubista? Vamos falar de toda essa equipe, falar dessa equipe técnica, falar desses jogadores que não entraram em campo nem por um minuto, mas que estiveram até o fim lá, criando essa corrente, alimentando essa correnteza que foi a entrada e o tempo que Cabo Verde permaneceu na Copa?”, indaga a cantora e compositora cabo-verdiana Mayra Andrade, para quem o time dos “Tubarões Azuis” deu uma lição de humildade e resiliência ao mundo.
Zé-Di-Nhana, integrante da primeira seleção do país, em 1978, antes de ela ser conhecida como “Tubarões Azuis”, relembra a história enquanto caminha pela comunidade da Várzea, que não é só a comunidade que viu nascer a seleção, mas que originou grandes jogadores, como ele. Reconhecido nas ruas, ele é considerado o “Pelé de Cabo Verde”. “Pensávamos que íamos aventurar, mas a aventura tem de ser sem medo. O que nós fizemos foi bom. Porque o Cabo Verde está no Mundial.”
A classificação para as quartas de final na Copa do Mundo não veio, assim como para o Brasil. O que permanece é o legado e a história dos “Tubarões Azuis”. E, com eles, o convite para que os brasileiros descubram Cabo Verde e se reconheçam na música, no futebol, nas belezas naturais e na “morabeza”, palavra em crioulo que traduz o jeito acolhedor que o cabo-verdiano tem de receber quem vem conhecer o país.
Ficha Técnica
Reportagem: André Vieira, correspondente da teleSUR
Produção: André Vieira e Cintia Vargas
Reportagem cinematográfica: Rogerio Verçoza
Auxílio técnico: Alexandre Souza
Edição de texto: Cintia Vargas e Flávia Lima
Edição e finalização de imagem: André Eustáquio e Marcio Stuckert
Artes: Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia
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