MP-SP: 'Aniversário general': coronel da PM tinha grupo no WhatsApp com 'companheiro' do PCC
Por Agencia Estado
Publicado em 21/07/2026 17:55:33Um grupo de WhatsApp batizado "Aniversário general", ativo ao menos até 21 de novembro de 2023, reunia o coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Luiz Carlos Pereira Martins, e o "companheiro" do Primeiro Comando da Capital (PCC) Cléber Azevedo dos Santos. Segundo os promotores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que conduzem a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira, 21, as mensagens trocadas no grupo tinham "caráter pessoal e social, com referências a eventos e celebrações".
Aposentado da cúpula da PM, Pereira Martins não foi alvo da operação na manhã desta terça. A reportagem pediu manifestação da corporação sobre as menções ao coronel e busca contato direto com ele. O espaço está aberto.
A partir do achado "Aniversário general", os promotores descobriram que Cléber "companheiro" mantinha relação de amizade com o coronel Pereira Martins. Segundo os investigadores, o vínculo permaneceu mesmo após Cléber se tornar alvo de operações policiais de grande repercussão, como a Operação Fractal, deflagrada no fim de 2022.
Os promotores afirmam que a relação entre o coronel e o "companheiro" do PCC ultrapassava contatos ocasionais. "Aniversário general" contém registros em que Pereira Martins teria se prontificado a auxiliar os investigados e intermediar negociações com autoridades e políticos, inclusive o ex-candidato à prefeitura do Guarujá, no litoral paulista, coronel Rogério (PRTB), nas eleições de 2024.
Os investigadores também obtiveram acesso a fotos do coronel Pereira Martins e Cléber em uma confraternização com bebidas alcoólicas.
Cléber é apontado pela investigação como "companheiro" do PCC - e não como "irmão" da facção. Segundo os investigadores, o termo se refere a uma pessoa ligada às normas e à hierarquia da organização criminosa, com atuação focada no financiamento do grupo.
'Tribunal do crime' e braço financeiro do PCC
Os elementos colhidos na Operação Janus indicam que Cléber recorreu ao chamado "tribunal do crime" para resolver disputas envolvendo imóveis no litoral paulista adquiridos em benefício próprio e de outros integrantes do PCC.
Os promotores citam a proximidade de Cléber com Leonardo Monteiro Moja, o "Léo do Moinho", capturado em agosto de 2024 na Operação Salus et Dignitas. Em mensagens, Cléber relatou ter se encontrado com o integrante da facção e afirmou que ele iria "acompanhar as ideia", após enviar uma reportagem que o apontava como liderança do PCC.
Cléber também é suspeito de movimentar recursos do PCC por meio de entregas volumosas de dinheiro em espécie, transferências bancárias e uso de empresas e contas "laranjas".
Menção a três coronéis da PM, indica investigação
Além de Pereira Martins, os operadores do PCC mantinham vínculos com o José Augusto Coutinho - ex-comandante-geral da PM e da Rota - e "Patrício", identificado em planilhas da facção como "cliente".
Em uma das conversas analisadas, Cléber Azevedo dos Santos solicitou a Amjad Ahmad informações sobre o saldo financeiro do esquema e afirmou precisar dos recursos para "pagar a polícia".
O Estadão pediu manifestação dos coronéis através da assessoria de imprensa da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A reportagem também busca contato direto com os citados. O espaço está aberto. Os integrantes da antiga cúpula da corporação, citados na investigação, não são alvo da operação desta terça.