'Sensação de medo do brasileiro nunca foi tão alta', diz Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Bope
Por Agencia Estado
Publicado em 23/07/2026 12:10:59Para o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, o próximo governo deve ter em mente que o combate ao crime organizado passa necessariamente por "recuperar o território". "A sensação de medo do brasileiro nunca foi tão alta", disse o autor do livro que inspirou o filme Tropa de Elite nesta quinta-feira, 23, durante o Brasil Adiante. "Milhões de brasileiros vivem atrás de barricadas", completou.
O Brasil Adiante é um projeto do Estadão para apresentar propostas concretas para os principais problemas do País. O ciclo de debates vai até o final de agosto, após o início da campanha eleitoral. As soluções elaboradas serão consolidadas em um documento que será entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais. A ideia é encaminhar uma agenda integrada e executável de soluções para os primeiros 24 meses do próximo governo.
Rodrigo Pimentel destacou que o Brasil enfrenta atualmente uma perda de controle territorial para grupos criminosos. "Vivemos um drama no Brasil que muitos não conseguem enxergar: a perda da soberania", disse. Ele citou São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, como exemplo e afirmou que empresas e serviços enfrentam dificuldades para atuar em áreas dominadas pelo crime. Segundo Pimentel, o governo ainda não trata a perda de territórios como um problema central da segurança pública.
Como o Estadão mostrou, às vésperas das eleições presidenciais, a principal preocupação do brasileiro é com crime e violência. Na sequência, aparecem corrupção política e financeira, e pobreza e desigualdade social, segundo a edição de abril da pesquisa Ipsos What Worries the World (O que preocupa o mundo), feita em 29 países. Quase metade dos brasileiros (47% do total) aponta o crime e a violência como sua maior preocupação. O indicador reflete a percepção de que o crime está mais espalhado e próximo aos cidadãos comuns.
Para Rodrigo Pimentel, caberia a uma inteligência central de segurança pública do Brasil "indicar e operar o caminho das polícias" estaduais. O ex-capitão do Bope também lembrou que o avanço do narcotráfico compromete a capacidade do Estado de exercer a Justiça em algumas áreas do País. "Nós não temos soberania para julgar assassinos numa cidade no interior do Amapá, no interior do Ceará, isso é fato", disse. Assim, ele defendeu mudanças no julgamento de crimes ligados ao narcotráfico e afirmou que esses casos deveriam sair do Tribunal do Júri e ser analisados por conselhos de juízes nas capitais.
Veja o cronograma do Brasil Adiante
. 27 de maio: Encontro 1: Eixo I: Estabilidade Institucional e Fundamentos do Crescimento (veja como foi);
. 11 de junho: Encontro 2: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde) (veja como foi);
. 23 de julho: Encontro 3: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Segurança Pública e Crime Organizado);
. 19 de agosto: Encontro 4: Eixo III: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade;
. 27 de agosto: Encontro 5: Apresentação do documento consolidado, divulgação da agenda e fechamento do projeto;
. Novembro: Entrega da agenda de soluções ao presidente eleito.