Geral

Fazenda SP multa Ultrafarma e Fast Shop em R$ 2,8 bi por 'fura-fila' de créditos tributários

Por Agencia Estado

Publicado em 31/07/2026 17:19:03

Suspeitas de aderirem a uma assessoria tributária clandestina de auditores fiscais que cobravam propinas bilionárias para acelerar e inflar o ressarcimento de tributos, duas gigantes do varejo, a Ultrafarma e a Fast Shop, foram multadas em R$ 2,8 bilhões no total pela Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo. As autuações são fruto da investigação do Ministério Público de São Paulo que desarticulou, por meio da Operação Ícaro, deflagrada em agosto do ano passado, um esquema de corrupção supostamente instalado em áreas sensíveis e estratégicas do Palácio Clóvis Ribeiro, sede do Fisco paulista.

O Estadão pediu manifestação das companhias sobre as multas. O espaço está aberto.

Em relação à Fast Shop, o Grupo de Trabalho Refazimento (G29) lavrou Auto de Infração e Imposição de Multa no valor de R$ 1,47 bilhões. No caso da Ultrafarma, as autuações foram divididas em três frentes: R$ 358 milhões pelo Grupo de Trabalho Refazimento (G29); R$ 476 milhões pelo Grupo de Trabalho Transferências para Terceiros, em autuação lavrada contra a própria farmacêutica na condição de emitente; e R$ 555,8 milhões pelo Grupo de Trabalho Créditos Escriturados (outros créditos) - somadas, as três autuações contra a Ultrafarma totalizam R$ 1,38 bilhões.

No início das investigações conduzidas pelo Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec), unidade do Ministério Público estadual, foram presos o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop. Ambos foram posteriormente soltos e respondem ao processo em liberdade.

O principal alvo da investigação é o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, o "King", apontado pelos investigadores como o líder do esquema de R$ 1 bilhão em propinas na Fazenda estadual. Ele está preso. A investigação aponta a suspeita de que Artur 'King' mantém estocados mais de R$ 100 milhões em criptomoedas, que teriam sido adquiridas com recursos do esquema.

O esquema "fura-fila" do ICMS operou na Fazenda do Estado pelo menos desde 2002. Em troca de propinas em valores elevados, os fiscais restituíam créditos tributários inflados a gigantes do varejo e do atacado. O 'fura-fila', como os investigadores definem o esquema, passou a ser espreitado no início de 2025.

A suspeita de corrupção em larga escala provocou três operações consecutivas dos promotores do Gedec. Em agosto, foi desencadeada a Operação Ícaro, que apontou provável favorecimento à Ultrafarma e à Fast Shop. Depois, já em março de 2026, a Operação Mágico de Oz e a Operação Fisco Paralelo deram sequência à investigação que põe sob suspeita cerca de 40 auditores fiscais - por ordem do secretário Samuel Kinoshita (Fazenda e Planejamento), cinco auditores foram demitidos em abril.

Delação de PP

O auditor fiscal de Rendas Paulo Sérgio Siqueira do Prado, o PP, fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo no âmbito das investigações sobre o esquema bilionário de propinas.

O Estadão pediu posicionamento da defesa de PP. Seus advogados não se manifestaram. A reportagem também procurou o fiscal. Não houve retorno. O espaço está aberto.

PP se aposentou em 2024. Ele não era apenas mais um quadro entre os auditores fiscais da Receita estadual, onde escalou postos graduados e estratégicos. Atuou como inspetor fiscal na Delegacia Regional Tributária da Capital, função para a qual foi designado em agosto de 2014. Depois, já como delegado, ele substituiu Marcelo Bergamasco Silva, em seus afastamentos, na Delegacia Regional Tributária da Capital II - atualmente, Bergamasco exerce a função de subsecretário da Receita de São Paulo.

  • Mais sobre: