Menina de 6 anos morre em testes genéticos na China: veja o que se sabe até agora
Por Agencia Estado
Publicado em 03/08/2026 14:26:23Um cientista chinês da Universidade de Jiao Tong de Xangai está sendo investigado pela instituição chinesa que analisa relatos de que um teste de edição genética experimental causou a morte de uma menina de seis anos. Segundo a Escola de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai, a morte não foi comunicada em um estudo publicado em uma revista científica.
As denúncias são um revés nas ambições da China de se tornar uma superpotência na biotecnologia. Saiba os principais pontos sobre o caso.
O que aconteceu?
A menina de seis anos, identificada pelo pseudônimo "Mei", morreu em março de 2025, aproximadamente uma semana após receber uma infusão espinal de bilhões de vírus projetados para penetrar no cérebro com fins terapêuticos, segundo investigação conjunta da revista Science e do Retraction Watch, plataforma que investiga casos de retratação de artigos científicos.
Segundo os pais da criança, ela teria sofrido uma reação imunológica associada ao tratamento. A terapia gênica experimental tinha como objetivo corrigir uma condição genética rara que atrasava seu desenvolvimento cognitivo.
Por que o cientista está sendo investigado?
O neurocientista Zilong Qiu, pesquisador principal, chegou a publicar um artigo sobre o estudo na prestigiosa revista Nature sobre essa terapia aplicada em animais, mas não mencionou o caso de Mei. O pesquisador ainda não se manifestou publicamente sobre as denúncias.
Em resposta ao artigo da Science e do Retraction Watch, a Escola de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai disse em comunicado que "criou um grupo de trabalho especial para fazer investigação exaustiva sobre o incidente".
A Escola de Medicina "opõe-se firmemente à realização de pesquisas científicas médicas em violação da ética da pesquisa científica", assegurou. O comunicado acrescentou que seriam tomadas "medidas severas" de acordo com as conclusões da investigação.
Um total de sete especialistas de áreas como genética, virologia e bioética analisaram o estudo associado à pesquisa que foi publicada na Nature, e expressaram preocupação com o fato do cientista ter minimizado os riscos da terapia ao descrevê-lo aos pais, ignorado sinais de alerta dos estudos com animais e prosseguido com o tratamento mesmo sabendo do improvável sucesso.
Como funciona a terapia genética?
A edição genética é um tipo de tecnologia que permite aos cientistas mudar, remover ou adicionar pedaços do DNA de um ser vivo de forma muito precisa. Na prática, funciona como um editor de textos para o código genético. A técnica mais famosa - CRISPR-Cas9 - age como uma "tesoura molecular" e foi premiada com o Prêmio Nobel de Química de 2020.
O relatório da Science e do Retraction Watch afirma que os pais de Mei, que pagaram mais de 800 mil dólares para financiar o experimento, não foram informados adequadamente sobre os riscos.
Segundo a Science, documentos oficiais e relatos fornecidos pelos pais da menina indicam que o hospital permitiu que o tratamento experimental de Qiu prosseguisse sob uma disposição regulatória que não exige a aprovação de reguladores nacionais.
Após a morte da criança, o hospital pagou uma multa modesta a uma autoridade de saúde local, de acordo com a apuração da Science, mas Qiu não foi sancionado publicamente.
Quais são os impactos para a reputação da China na ciência?
O neurocientista Qiu aspirava desenvolver a primeira terapia de edição genética do mundo direcionada ao cérebro, reescrevendo o gene mutado nas células nervosas da menina para que ela pudesse produzir uma proteína vital, indicou o relatório.
A morte, que não tinha sido revelada até agora, representa um novo golpe às ambições da China de rivalizar com os Estados Unidos como potência biotecnológica, após o escândalo de 2018 envolvendo He Jiankui, um biofísico que produziu em segredo bebês com genes editados.
Conhecido com o "Dr. Frankestein chinês", Jiankui chegou a ser condenado a três anos de prisão por enganar autoridades médicas. Em 2018, a experiência de Jiankui com a edição genética de embriões resultou em gêmeas e, posteriormente, em um terceiro bebê de outro casal.
Em setembro, o Conselho de Estado da China publicou novas que regras que proíbem a modificação do DNA em células reprodutivas humanas, como espermatozoides, óvulos ou embriões. Esse era o tipo de pesquisa que o Jiankui realizava antes de sua prisão.
O líder da China, Xi Jinpíng, colocou como meta que o país asiático esteja na liderança global da ciência e tecnologia em 2049, mirando as comemorações da revolução que levou o Partido Comunista ao poder. (Com agências internacionais).
*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.