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25 anos sem Jorge Amado: legado do autor ganha celebração na Flipelô

Por Agência Brasil

Publicado em 06/08/2026 17:27:36

Há 25 anos, o Brasil perdia Jorge Amado (1912-2001), o contador de histórias que transformou as ruas, os aromas e a alma baiana em literatura universal. Autor de livros como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Tenda dos Milagres, Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Tereza Batista Cansada de Guerra, Jorge Amado é a tradução da Bahia.

“É como se Jorge Amado fizesse selfies de Salvador”, comparou o historiador Rafael Dantas.

Em entrevista à Agência Brasil, Dantas reforçou que Jorge Amado foi uma espécie de “tradutor desse modo de viver da Bahia e do Brasil ao longo do tempo”.

“Se naquela época ele não tinha um celular para fazer uma selfie, ele conseguiu fazer uma selfie ou fazer um registro através de sua escrita, através de sua literatura. E é justamente isso que é tão especial no trabalho do Jorge Amado. Repito, Jorge Amado é um dos principais nomes para a gente compreender o Brasil ao longo desse tempo”, disse o historiador logo após participar de uma mesa que celebrou os 40 anos de criação da Fundação Casa de Jorge Amado, durante a 10ª edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô).

Nas obras de Amado, a Bahia é descrita não só por meio de suas ruas, comidas e casarios, mas também por seu povo e seus costumes. Toda sua obra promove também uma reflexão sobre os problemas sociais brasileiros.

 Flipelô lembra 25 anos da morte do escritor Jorge Amado. Foto: Fundação Casa de Jorge Amado/Divulgação 

“Jorge vai encontrar um momento de transição do ponto de vista social. Ele retrata uma sociedade baiana, tanto do sul como de Salvador, com resquícios de um passado que era o presente naquele período, com tensões raciais, desigualdades, questões de trabalho, questão de gênero. Ele é um homem do seu tempo escrevendo sobre o seu tempo e colocando também as suas projeções enquanto artista na sua literatura, na sua escrita”, afirmou Dantas.

Ele explicou que Jorge rompeu com o ponto de vista tradicional das elites. “Ele foi buscar o social, o contorno que ele viveu, inclusive aqui, nesse prédio que ele morou, que é o Solar, que é o antigo cortiço em que ele escreveu Suor, para falar sobre a Bahia.”

Presente à mesa que debateu os 40 anos de criação da fundação que leva o nome de seu pai, Paloma Jorge Amado falou que seu pai continua muito presente em sua vida. “São 25 anos da morte do meu pai hoje e são 25 anos em que eu sinto tristeza a cada dia”, disse ela à reportagem.

Para Paloma, seu pai deixou ao país um imenso “legado de humanismo, de igualdade e de fim para os preconceitos”.

“E é por isso que a gente luta”, reforçou.

Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, lembrou que os 25 anos de morte de Jorge Amado coincidem com os 40 anos de existência da fundação que guarda o seu legado. “Todo esse acervo de Jorge Amado - os livros e tudo o que ele contou sobre o nosso povo e sobre a Bahia para o mundo - é fundamental para quem quiser”, disse ela.

“Aqui na fundação a gente recebe muitos visitantes que dizem assim: ‘Eu vim para a Bahia porque eu li Jubiabá’. Então, eu acho que ele ainda continua sendo nosso porta-voz para o mundo afora. Ele realmente soube contar sobre a nossa cultura e as nossas tradições de uma forma muito romanceada, muito agradável de ler. Esse é um legado que tem que ser levado adiante para as gerações que não tiveram a oportunidade de conviver com ele ainda em vida, produzindo”.

Para o também escritor Domingos Ailton, secretário de Cultura e Turismo de Jequié (BA) e autor do livro Anésia Cauaçu, que aborda a história da primeira mulher que ingressou no cangaço e viveu no sertão de Jequié, Jorge Amado segue sendo muito atual. “Jorge Amado é minha maior inspiração como escritor e um autor que teve uma importância muito grande para divulgar a cultura popular da Bahia e para divulgar a realidade da Bahia, tanto que seus livros, que foram escritos há 80 anos atrás, continuam bastante atuais”, disse.

Flipelô

Há dez anos, em celebração ao aniversário de nascimento Jorge Amado (10 de agosto), é realizada a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô).

A edição deste ano teve início na noite de na terça-feira (4) e será realizada até o próximo domingo (9). A expectativa dos organizadores é que cerca de 250 mil pessoas transitem pelas ruas do Pelourinho para curtir a programação do evento, considerada a maior festa literária da Bahia.

Mais informações sobre a programação da Flipelô podem ser acessadas por meio do site oficial. 

* A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

 

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