Acidente da Voepass: testemunha cita propina e PF recomenda que MPF investigue ANAC
Por Agencia Estado
Publicado em 06/08/2026 22:02:39A Polícia Federal pediu que o Ministério Público Federal (MPF) investigue a atuação de integrantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na fiscalização da Voepass antes da queda do voo que deixou 62 mortos em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024. A medida consta no relatório final do inquérito sobre o acidente, apresentado nesta quinta-feira, 6.
Foram indiciados 16 funcionários e ex-funcionários da empresa, sendo 15 pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, e 1 por falsidade ideológica.
Em depoimento à PF, um mecânico de pista chegou a afirmar que desconfiava de "propina" entre a empresa e inspetores da ANAC. Segundo relato, ele estranhou após ter sua carteira suspensa mesmo após ser aprovado em um curso de reciclagem exigido. Para o mecânico, a motivação era retirá-lo da pista por "criar muito caso", já que se recusava a liberar aviões que estavam com problemas.
Em nota, a ANAC afirmou que não foi oficialmente notificada sobre quaisquer questões relacionadas a supostos atos de improbidade administrativa por parte de seus servidores. A Voepass afirmou que a 'segurança operacional sempre foi sua prioridade' e ressaltou que tripulações eram orientadas a cumprir procedimentos.
A PF quer que a íntegra da investigação seja compartilhada com a Procuradoria da República no Distrito Federal para apurar a eventual prática de atos de improbidade administrativa por integrantes da agência. Também determinou o envio dos autos à Corregedoria Regional da própria PF em São Paulo para análise de possível ocorrência dos crimes de prevaricação ou corrupção passiva privilegiada por funcionários da Anac.
Segundo o relatório, a investigação identificou que a agência havia encontrado, antes do acidente, "diversas não conformidades técnicas e não procedimentais relacionadas à manutenção das aeronaves" da companhia.