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Estagiária do TJ, estudante de Direito é vítima de feminicídio no interior de SP

Por Agencia Estado

Publicado em 11/08/2026 08:19:16

Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

A estudante de Direito Livia Berthoud, de 23 anos, foi morta a tiros nesta segunda-feira, 10, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Segundo testemunhas e familiares, o autor dos disparos foi o ex-namorado da vítima, um homem de 25 anos, que foi preso em flagrante na sequência por suspeita de feminicídio. A reportagem não localizou a defesa do suspeito.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), Lívia foi encontrada na Rua São Sebastião, no bairro Vila Santa Teresinha, com ferimentos provocados por disparos. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou a morte no local.

Na sequência, policiais encontraram o ex-namorado na casa dele, com "ferimentos aparentemente" provocados por tiros, e um revólver calibre 38. Ele foi preso em flagrante, mas precisou ser hospitalizado e, até a última atualização, seguia internado sob escolta policial. A arma e o veículo do suspeito foram apreendidos.

Conforme o portal g1, Lívia já tinha uma medida protetiva de urgência contra ele por causa de outros episódios de violência praticados pelo suspeito.

O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Pindamonhangaba como feminicídio e localização/apreensão de veículo. O corpo de Lívia foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

Lívia era estudante de Direito da Universidade de Taubaté (Unitau) e estava no décimo semestre do curso. Ela ingressou em 2023 e tinha previsão de se formar no final deste ano. Em uma de suas redes sociais, informava que fazia estágio no Tribunal de Justiça de São Paulo desde o início do ano passado.

Em nota, a Unitau manifestou "profundo pesar pela morte precoce e brutal da aluna Lívia Berthoud, do 10º semestre do curso de Direito, vítima de feminicídio" e disse repudiar "toda forma de violência".

O assassinato de Lívia ocorreu no mesmo dia em que a universidade promove a 46ª Semana Jurídica, que vai debater os 20 anos da Lei Maria da Penha e o enfrentamento à violência contra a mulher.

"A dolorosa coincidência reforça a urgência de uma discussão que ultrapassa os espaços acadêmicos e exige o compromisso de toda a sociedade. A memória de Lívia estará presente nos debates desta semana", acrescentou a Unitau.

Outras entidades ligadas à instituição, como a Atlética do curso de Direito, também prestaram homenagem à vítima por meio de notas publicadas na internet.

"Neste momento de profunda tristeza, manifestamos nossos mais sinceros sentimentos à sua família, aos seus amigos, colegas de faculdade e a todos que tiveram a oportunidade de compartilhar sua trajetória e sua vida", diz o comunicado.

"Que neste momento prevaleçam o respeito, o carinho e o acolhimento àqueles que sofrem esta perda. Que sua memória seja sempre lembrada com carinho e respeito", continuou um dos comunicados.

Escalada de casos no País

O Brasil registrou um novo crescimento de feminicídios no ano de 2025. Foram 1.571 casos ao longo do ano passado, 4% a mais que em 2024, quando foram contabilizadas 1.504 ocorrências no período. Os dados são da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Este é o quarto ano seguido de aumento de casos no País, conforme o fórum. Com exceção de 2021, quando o número de feminicídios caiu 0,6% em relação a 2020, o assassinato de mulheres pelo fato de serem mulheres manteve-se em constante crescimento desde 2016, quando o País somou 929 casos, um ano após a tipificação do crime. Passada uma década, o número de ocorrências deu um salto de 69,1%.

Pesquisadores do FBSP chamam a atenção para o fato de os feminicídios serem praticados majoritariamente por companheiros ou ex-companheiros da vítimas, totalizando 79,8% - ou oito a cada 10 registros.

Especialistas pontuam que o feminicídio é a consequência final de outros crimes que o antecedem e que também cresceram na comparação com o ano passado. São os casos de perseguição (aumento de 30,1%), violência psicológica (+16,9%), descumprimento de medidas protetivas (+16,7%), ameaças (+0,5%) - que somaram 788.531 casos em números absolutos - e lesões corporais dolosas no contexto de violência doméstica (+2,6%).

Em números absolutos de feminicídios, São Paulo lidera as estatísticas, com 270 casos (aumento de 6,4%) e uma taxa de 1,1 por 100 mil mulheres. A lista segue com Minas Gerais, com 117 casos (queda de 4,4%) e taxa de 1,6 por 100 mil mulheres; Rio de Janeiro, com 105 casos (-1,9%) e taxa de 1,2 por 100 mil mulheres; e Bahia, onde foram registradas 102 ocorrências (queda de 7,4% ante 2024) e uma taxa de 1,3 feminicídio por 100 mil mulheres.

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