Pai é condenado a mais de 24 anos de prisão por matar filha de 4 anos asfixiada em São Paulo
Por Agencia Estado
Publicado em 17/08/2026 12:37:19Ricardo Krause Esteves Najjar, auxiliar administrativo, foi condenado na sexta-feira, 14, a 24 anos, 10 meses e 20 dias de prisão pelo assassinato da filha, Sophia Kissajikian Cancio Najjar, de 4 anos. A menina morreu por asfixia em dezembro de 2015, na zona sul de São Paulo. A sentença foi proferida pelo Conselho de Sentença após três dias de julgamento, informou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
A reportagem entrou em contato com a defesa de Najjar e aguarda retorno.
Segundo a Justiça, a decisão manteve a qualificatória de meio cruel contra a vítima (menor de 14 anos) e aumentou a pena, mesmo com o réu negando o crime durante todo o processo.
"A agravante sanciona a violação do dever de assistência, proteção e apoio mútuo inerente à relação entre pais e filhos, revelando maior insensibilidade moral do agente", disse a juíza Melanie Liesenberg, que presidiu o julgamento.
Conforme a Justiça, este foi o terceiro julgamento do processo. O primeiro foi anulado por contradições na votação dos quesitos pelo jurado e o segundo por decisão contrária à prova dos autos.
Em setembro de 2020, a 12ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo anulou o júri popular que condenou Ricardo. Em 2018, após duas sessões, ele já havia sido considerado culpado pelo homicídio e a pena definida em 24 anos, 10 meses e 20 dias.
O caso
Em 2015, a Polícia Civil concluiu que a menina Sophia, de 4 anos, foi assassinada pelo pai. Ela foi encontrada morta com um saco plástico na cabeça no dia 2 de dezembro, no apartamento do pai, na zona sul de São Paulo.
No início, havia suspeita de que a criança tivesse sufocado acidentalmente. Laudos do Instituto Médico-Legal (IML), porém, apontam que ela foi vítima de agressão, mas descartaram abusos sexuais.
Segundo os exames, Sophia morreu sufocada por esganadura, teve o tímpano esquerdo estourado, sofreu um edema cerebral e ficou com 21 hematomas espalhados pelo corpo. A principal suspeita é que ela tenha sido assassinada após contrariar o pai.
Em depoimento, Najjar afirmou que encontrou a menina caída após sair do banho. Ele teria posto a criança sobre a cama e só então tentado tirar o saco que a sufocava. Ao perceber que havia sangramento no rosto de Sophia, ele teria ligado para pedir socorro. Os policiais, no entanto, contestam a versão do suspeito.
Os dados do telefone de Najjar mostram que ele teria ligado primeiro para o pai, depois para a namorada e só depois para o Samu. Segundo Elisabeth Sato, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), o auxiliar administrativo não chorou nem esboçou nenhum tipo de reação durante os depoimentos. "Estamos convictos da autoria", disse.