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Em festival, Paralamas e Plebe Rude leem o passado com a força do presente

Por Agência Estado

Publicado em 24/08/2026 07:34:07

Quando os Paralamas do Sucesso subiram ao palco montado no Parque Ibirapuera, em São Paulo, uma multidão aguardava por eles. O motivo? Eles nunca decepcionam. No sábado, 22, fizeram um show profissional e de alta qualidade na reta final do primeiro dia do C6 no Rock, festival que ocorre em São Paulo e celebra discos emblemáticos da década de 1980.

Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone e companhia tocaram Selvagem? (1986), terceiro LP do trio, na íntegra. O disco redefiniu a sonoridade da banda ao combinar elementos do rock, reggae, música africana e MPB, marcando uma transformação de conteúdo lírico.

Com faixas como Alagados, Teerã e A Novidade, esta última composta por Gilberto Gil, adotaram uma postura mais contestadora acerca das desigualdades sociais no Brasil, tecendo em sua arte críticas que permanecem atuais, assim como todos os outros discos apresentados no Parque do Ibirapuera durante o festival.

Em comparação com O Concreto Já Rachou, da Plebe Rude, Rádio Pirata Ao Vivo, do RPM, e Cabeça Dinossauro, dos Titãs, Selvagem? é o mais elegante e não tem a mesma agressividade dos demais, ainda que não se prive do mesmo inconformismo transmitido em roupagem mais poética.

No palco, o entrosamento do trio é de dar inveja. Basta uma troca de olhares para mudar um acorde, sair de um refrão, arrematar uma canção, etc. Eles fazem isso há décadas - e com um pé nas costas.

Um dos destaques esquecidos do celebrado álbum e que ganhou ótima versão ao vivo foi O Homem, uma pequena crônica reggae sobre a condição humana. "O homem traz em si a santidade e o pecado/ Às vezes benfeitor é quem maltrata/ Nenhuma doutrina mais me satisfaz", cantou Herbert.

A banda foi beneficiada pelo horário do show, à noite, e pôde usufruir de enormes projeções refletidas na parte de trás do Auditório Oscar Niemeyer, prática já característica nos recitais realizados ali.

O repertório terminou de forma arrebatadora, já que houve tempo para uma fila de sucessos: Lanterna dos Afogados, Aonde Quer Que Eu Vá, Óculos e Meu Erro. Um deleite para o público, que pareceu bastante satisfeito com o que, até ali, foi o melhor show do festival.

Estilo

A abertura do evento, no começo da tarde, se deu com a Plebe Rude, de O Concreto Já Rachou (1986), um clássico do rock nacional. Debaixo de um sol intenso, a Plebe tocou todas as faixas do mini-LP, como Proteção, Johnny Vai à Guerra (Outra Vez), Minha Renda, Sexo e Karatê, Brasília e o hino Até Quando Esperar, com a introdução de violoncelo eternizada na gravação de Jaques Morelenbaum, mas que no palco foi transmitida de forma pré-gravada.

A banda preencheu o tempo restante do set com outras faixas da carreira. Mostraram amplitude de estilo, mas se o LP clássico fosse repetido de cabo a rabo ninguém iria reclamar.

Os Titãs, por sua vez, relembrando o LP Cabeça Dinossauro, se mostraram uma banda frágil e aquém do que já foi. Sem o talento e a presença de palco de Nando Reis, Arnaldo Antunes e Paulo Miklos, a versão atual do grupo é um pastiche. Ninguém parecia à vontade no palco.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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