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Paulo Ricardo evoca o RPM em versão mais roqueira em festival

Por Agência Estado

Publicado em 24/08/2026 07:45:08

Por cerca de uma hora, Paulo Ricardo, de 63 anos, fez aquilo que se esperava dele durante o festival C6 no Rock, no sábado: um show nostálgico até demais que animou a plateia entusiasmada que o assistia.

Ainda um homem charmoso, o cantor não exala mais aquela postura blasé que o tornou galã nos anos 80. Hoje, é muito animado, simpático e brega. Faz caras e bocas exageradas, usa sobretudo preto de couro debaixo de sol intenso e abusa das poses de rockstar.

Ele subiu ao palco para resgatar hits do RPM por meio de um repertório calcado em Rádio Pirata Ao Vivo (1986), executado na íntegra. O álbum foi lançado sem muita pretensão ou planejamento, mas transformou a banda em fenômeno e se tornou um dos mais vendidos de todos os tempos.

O grupo, como se sabe, acabou por causa de uma série de rusgas, levadas até para a Justiça. Nem por isso Ricardo renega as canções que o consagraram. Sua banda atual tem verve mais roqueira, mas se apoia bastante no uso dos teclados e sintetizadores eternizados por Luiz Schiavon, grande arquiteto sonoro do RPM. É ali que está o som pop que nos remete imediatamente à década oitentista.

Retrô

O clima retrô foi latente, por exemplo, em Revoluções por Minuto, London London (versão de Caetano Veloso) e Olhar 43. Outro grande sucesso, Alvorada Voraz funciona como um dos mais certeiros retratos sombrios do Brasil de 1985/86 e da crise de identidade que afetava a nação no período de transição da ditadura militar para a redemocratização.

O show teria funcionado melhor se fosse à noite. Ricardo, que cantou muito bem e também desfilou seu talento no baixo (de timbre assustador, no bom sentido), tentou resgatar os elementos visuais do espetáculo de outrora - uma vanguarda tecnológica na época -, mas os efeitos utilizados não impressionaram.

O auge, contudo, foi a despedida com Rádio Pirata, na qual o astro tenta "fazer justiça com as próprias mãos" e clama pela "revolução". No meio da música, houve um ótimo interlúdio com citações a Light My Fire, do The Doors, All You Need Is Love, dos Beatles, e You Can't Always Get What You Want, dos Rolling Stones. Com esta última, se apropriou de versos realistas que sublinharam suas ideias um tanto utópicas: "Nem sempre você consegue o que quer. Mas, se tentar às vezes, pode descobrir o que precisa."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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