Como quadrilha descobriu brechas na segurança e furtou apartamentos de luxo em 8 Estados
Por Agencia Estado
Publicado em 31/08/2026 11:48:11Uma quadrilha especializada descobriu falhas em sistemas de segurança eletrônica e portarias para invadir e furtar dezenas de apartamentos de luxo em oito Estados do Brasil. Conforme exibição do Fantástico, da Rede Globo, no domingo, 30, as investigações apontam que criminosos burlavam a segurança de condomínios e entravam pela porta da frente, sem usar de violência.
As defesas de dois envolvidos informaram que se manifestarão apenas nos autos do processo e outras não foram localizadas. Leia mais informações abaixo.
De acordo com a reportagem, em um dos casos, ocorrido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 7 de março, uma mulher teve o rosto reconhecido pelo sistema de segurança do prédio. Um homem entrou logo atrás dela. Pouco depois, a dupla fugiu do condomínio levando dinheiro, cheques, joias, bolsas de grife e um casaco de pele.
Conforme o Fantástico, em Belo Horizonte, em Minas Gerais, em 27 de fevereiro, um grupo invadiu um condomínio após um dos suspeitos se passar por morador e ligar para a empresa de segurança. Desta forma, conseguiu alterar o cadastro, trocar o e-mail e colocar a própria foto no sistema. Com isso, para a câmera, ele aparecia como um morador. Conseguiu entrar no condomínio acompanhado de outras duas pessoas. Após cerca de uma hora, saíram do prédio com uma mochila que não tinham quando chegaram ao local.
Conexão entre os crimes
A polícia encontrou uma ligação entre casos registrados em diferentes Estados. Segundo a reportagem do Fantástico, o mesmo carro alugado apareceu em Belo Horizonte, em Porto Alegre e em São Paulo.
Segundo as investigações, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, os criminosos conseguiram furtar os apartamentos. Já em São Paulo, houve a tentativa.
A polícia aponta Vinícius Scarpari como o elo entre todos os casos. Natural da zona leste de São Paulo, ele e os demais envolvidos teriam se conhecido entre os bairros da Mooca e do Belém.
Uma apuração do Fantástico mostra que o nome dele aparece em pelo menos 30 boletins de ocorrência, quase sempre com diferentes comparsas, sendo os primeiros furtos cometidos em 2020 contra casas térreas. A partir de 2023, o crime começou a ser cometido contra prédios de lixo.
Uso de redes sociais para escolher as vítimas
Ainda de acordo com a exibição da Rede Globo, postagens de rotina, joias, grifes e viagens expunham o poder aquisitivo das vítimas e indicavam quando as casas estavam vazias.
Em seguida, era a vez da etapa por busca dos dados pessoais.
Um delegado da Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirmou que os criminosos conseguiam obter informações, muitas vezes, pela chamada Deep Web, inclusive comprando cadastros de atas condominiais.
"Isso é muito ruim, porque eu consigo ter acesso a nomes do andar tal, do sétimo andar, do décimo andar", afirmou ele, sem ter a identidade revelada.
Em 25 de abril, Scarpari voltou a Porto Alegre. Segundo a reportagem, ele e sua quadrilha usaram um golpe por telefone para invadir um condomínio na cidade, fingindo ser moradores do apartamento 301.
Durante o telefonema, uma mulher se identificou como Maria, do apartamento 301, e pediu a liberação da entrada de uma suposta neta chamada Laura Rocha. No dia seguinte, outra mulher entrou no condomínio dizendo ser Laura. Ela já estava liberada e entrou acompanhada de Scarpari e outro homem.
Eles vasculharam um apartamento no oitavo andar e furtaram um cofre pesado, precisando de um carrinho de compras para transportá-lo. O prejuízo total estimado pelas autoridades foi de mais de R$ 800 mil em armas, joias e dinheiro.
Medo das vítimas
Vítimas de furtos em Goiânia, em Goiás, também relataram o impacto da ação da quadrilha, conforme a exibição do Fantástico. "Foi um sentimento muito ruim da gente passar. Não foi agradável, a gente está exposto a uma situação onde a gente achava que estava seguro", disse um dos moradores.
"Meu filho não dorme mais no quarto dele, porque fala que tem ladrão. E ali era um lugar que a gente sempre falou que era seguro", afirmou uma mulher ao dizer que ela e os filhos não superaram o ocorrido.
Em outro condomínio de Goiânia, dois homens, incluindo Scarpari, entraram a pé em um prédio, foram até um apartamento e saíram do local levando uma mochila.
De acordo com a reportagem, em outro endereço, ele apareceu novamente acompanhado de Renata Palermo, que já havia participado do primeiro furto em Porto Alegre. Eles deixaram o condomínio com uma bolsa.
Funções dentro da quadrilha
De acordo com a exibição, a investigação apontou que cada integrante da quadrilha tinha uma função definida.
Segundo a polícia, Scarpari era um dos principais executores e era especializado em arrombar cofres. Outros integrantes o ajudavam a entrar nos prédios.
Do lado de fora dos locais, ficavam os "olheiros".
Segundo um delegado de Goiás, outro integrante era responsável por financiar as viagens. O dinheiro era usado para pagar passagens de ônibus, alimentação, combustível e pedágios.
Alberto Bernardo Alves, envolvido no contexto atual, já havia participado de uma tentativa de furto ao apartamento do ex-presidente Fernando Collor de Mello em Alagoas, no ano de 2024.
Chefe do grupo
A polícia identificou Victor Gabriel da Silva, conhecido como Fubeta, como o chefe e "arquiteto" de uma quadrilha de furtos a apartamentos de luxo após seis meses de investigações iniciadas em Goiânia.
Conforme o Fantástico, a investigação apontou que ele também viajava com frequência, mas para destinos turísticos. Ele chegou a aparecer em imagens em Fernando de Noronha e na República Dominicana. Em um áudio, Fubeta afirma: "No crime, tudo que nós temos é nosso nome. Dinheiro é consequência."
Prisões efetuadas
Scarpari foi preso quando saía de casa, na zona leste de São Paulo. A Defensoria Pública, responsável pela defesa dele, informou que só vai se manifestar no processo.
Alves está sob custódia em um hospital da capital. Questionado sobre a investigação, ele não quis falar. Em nota, a defesa dele disse que vai se manifestar nos autos e que os fatos serão esclarecidos.
Fubeta também foi detido. A reportagem cita que, segundo um delegado de Goiás, ele é ligado a uma facção criminosa paulista.
A reportagem não localizou os advogados de Fubeta, da foragida Renata e dos demais suspeitos que aparecem nas imagens.