Geral
Oratório da Providência passa por restauração
Monumento, também conhecido como Capela das Almas, é tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) desde 1986
Por Ana Fernanda Freire
Publicado em 05/09/2026 12:14:08Rio - Um dos mais antigos marcos religiosos do Morro da Providência, na Zona Portuária, será reaberto à comunidade após passar por um amplo processo de restauração. O Oratório da Providência será reinaugurado no dia 14 de setembro, ao meio-dia.
Para marcar a data, a Arquidiocese vai promover uma solenidade, com concentração a partir das 11h30, na Igreja de Nossa Senhora do Livramento, na Ladeira do Barroso, 113. De lá, os fiéis seguirão até o monumento, situado no ponto mais alto da comunidade.
Ligado à Paróquia Sagrada Família, no bairro da Saúde, o Oratório, também conhecido como Capela das Almas, é tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) desde 1986.
História
A história do pequeno templo remonta à passagem do século XIX para o XX. Documentos reunidos durante o trabalho de preservação indicam que o monumento foi construído entre 1900 e 1901 e, originalmente, recebeu o nome de Santuário do Cristo Redentor. Na fachada, havia a inscrição “A JESUS CHRISTO”, que acabou sendo perdida, assim como a cruz que ficava no alto da construção.
Registros do semanário católico “O Apóstolo”, publicados em dezembro de 1900, ajudam a reconstruir os primeiros capítulos dessa história. O periódico noticiou a construção de uma grande cruz no Morro da Providência como um monumento destinado a marcar a passagem do século e homenagear Jesus Cristo Redentor. A inauguração estava prevista para 1º de janeiro, às 17h, com a bênção do então arcebispo Dom Joaquim Arcoverde.
Fotografias históricas de Augusto Malta também registraram o oratório no início do século XX, quando a construção se destacava praticamente isolada no alto do morro. Com as transformações urbanas ao longo das décadas, o monumento passou a integrar a paisagem densamente ocupada da comunidade, preservando seu valor religioso, histórico e afetivo para os moradores.
A preservação do imóvel ganhou atenção da Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese do Rio. Em 1º de agosto de 2024, uma vistoria técnica realizada pelos engenheiros civis Francisco Roberto Monteiro Silva Neto e Ailton Roberto dos Santos identificou a necessidade de uma intervenção urgente.
Restauração
Na área externa, uma árvore de grande porte havia crescido sobre a edificação e encobria quase toda a torre que servia de suporte ao antigo cruzeiro. Foram identificados sinais de umidade, perda de argamassa, descascamento da pintura à base de cal e raízes avançando entre as camadas das paredes.
No interior, as infiltrações provocadas pelas chuvas atingiam o teto e avançavam pelas paredes. A umidade favoreceu o crescimento de vegetação, cujas raízes penetraram na alvenaria e comprometeram paredes e esquadrias. Em alguns pontos, elas chegaram a perfurar a estrutura e atingir acabamentos de portas e janelas.
Os levantamentos também identificaram infiltrações generalizadas e raízes avançando por trás das imagens existentes no altar.
Para marcar a data, a Arquidiocese vai promover uma solenidade, com concentração a partir das 11h30, na Igreja de Nossa Senhora do Livramento, na Ladeira do Barroso, 113. De lá, os fiéis seguirão até o monumento, situado no ponto mais alto da comunidade.
Ligado à Paróquia Sagrada Família, no bairro da Saúde, o Oratório, também conhecido como Capela das Almas, é tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) desde 1986.
História
A história do pequeno templo remonta à passagem do século XIX para o XX. Documentos reunidos durante o trabalho de preservação indicam que o monumento foi construído entre 1900 e 1901 e, originalmente, recebeu o nome de Santuário do Cristo Redentor. Na fachada, havia a inscrição “A JESUS CHRISTO”, que acabou sendo perdida, assim como a cruz que ficava no alto da construção.
Registros do semanário católico “O Apóstolo”, publicados em dezembro de 1900, ajudam a reconstruir os primeiros capítulos dessa história. O periódico noticiou a construção de uma grande cruz no Morro da Providência como um monumento destinado a marcar a passagem do século e homenagear Jesus Cristo Redentor. A inauguração estava prevista para 1º de janeiro, às 17h, com a bênção do então arcebispo Dom Joaquim Arcoverde.
Fotografias históricas de Augusto Malta também registraram o oratório no início do século XX, quando a construção se destacava praticamente isolada no alto do morro. Com as transformações urbanas ao longo das décadas, o monumento passou a integrar a paisagem densamente ocupada da comunidade, preservando seu valor religioso, histórico e afetivo para os moradores.
A preservação do imóvel ganhou atenção da Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese do Rio. Em 1º de agosto de 2024, uma vistoria técnica realizada pelos engenheiros civis Francisco Roberto Monteiro Silva Neto e Ailton Roberto dos Santos identificou a necessidade de uma intervenção urgente.
Restauração
Na área externa, uma árvore de grande porte havia crescido sobre a edificação e encobria quase toda a torre que servia de suporte ao antigo cruzeiro. Foram identificados sinais de umidade, perda de argamassa, descascamento da pintura à base de cal e raízes avançando entre as camadas das paredes.
No interior, as infiltrações provocadas pelas chuvas atingiam o teto e avançavam pelas paredes. A umidade favoreceu o crescimento de vegetação, cujas raízes penetraram na alvenaria e comprometeram paredes e esquadrias. Em alguns pontos, elas chegaram a perfurar a estrutura e atingir acabamentos de portas e janelas.
Os levantamentos também identificaram infiltrações generalizadas e raízes avançando por trás das imagens existentes no altar.