Caso Bacabal: por que os EUA entraram no caso das crianças desaparecidas?
Por Agencia Estado
Publicado em 09/09/2026 21:49:41A operação Statewide Shield, organizada pelo Estado da Flórida, nos Estados Unidos, resgatou 163 crianças que estavam desaparecidas, informou o procurador-geral James Uthmeier em entrevista coletiva na quarta-feira, 2. A ação aumentou a suspeita de que Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, no Maranhão, poderiam estar entre as crianças encontradas.
Quando uma criança desaparecida é localizada, um advogado ou órgão federal pode solicitar à Interpol a verificação para saber se ela corresponde a uma pessoa desaparecida no Brasil.
Em nota, a prefeitura de Bacabal informou que encaminhou uma solicitação à Polícia Federal na terça-feira, 8, após tomar conhecimento da operação Statewide Shield. O objetivo é verificar se Ágatha e Allan estão entre as crianças localizadas pelas autoridades norte-americanas.
No pedido, a prefeitura solicitou à Polícia Federal que, por meio dos canais de cooperação com a Interpol e as autoridades dos Estados Unidos, faça o cruzamento de fotos e dados de Ágatha e Allan com os das crianças localizadas na operação. Também pediu a verificação dos nomes dos irmãos nos cadastros internacionais de pessoas desaparecidas, entre outras providências.
A prefeitura informou ainda que a mãe das crianças, Clarice Reis, apresentou pessoalmente a solicitação à PF nesta quarta-feira, 9, na sede da Superintendência da Polícia Federal, em São Luís, acompanhada de sua advogada, Nathaly Moraes.
Apesar das especulações, a Polícia Federal informou na noite desta quarta-feira que nenhuma criança brasileira está entre as localizadas pelas autoridades da Flórida na operação.
A Polícia Civil do Maranhão ressaltou em nota que não há, até o momento, qualquer informação concreta que indique que as crianças estejam fora do País. "O alerta internacional não representa confirmação de localização no exterior nem alteração das linhas de investigação", disse a pasta.
Mesmo assim, Nathaly afirmou ao Estadão que o material genético coletado pela PF serve como comparação para localizar as crianças em outros países. "Só vamos parar quando tiver uma decisão definitiva", disse.
Falta de documentação
Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, a advogada Nathaly Moraes afirmou que Ágatha e Allan nunca tiveram documentos de identificação, o que dificultou a inclusão de informações sobre os irmãos em bases de dados oficiais e, consequentemente, a identificação de possíveis crianças localizadas.
"Existe um indicativo de que essa criança possa ser o Allan. O material genético da mãe deve ser coletado para que seja feito o confronto com o material genético da criança que está nos Estados Unidos", disse Nathaly.
Nas últimas horas, a procura pelo termo 'Estados Unidos crianças desaparecidas' no Google Trends ganhou relevância em razão da Interpol ter oferecido apoio nas buscas pelos irmãos desaparecidos em Bacabal.
Agora, as autoridades devem confrontar o material genético da mãe com o da criança localizada nos Estados Unidos. Clarice acredita que os filhos estão vivos e foram sequestrados. Segundo ela, as características de uma criança vista em fotografias chamaram a sua atenção.
"Não dá para ter certeza, mas cada característica lembra o Michael", afirmou a mãe durante a coletiva de imprensa.
Em outro vídeo publicado nas redes sociais, Nathaly afirmou que as crianças devem ser incluídas nas categorias amarela e azul de avisos da Interpol. A principal diferença entre elas está no objetivo do rastreamento: enquanto a amarela busca ajudar a localizar pessoas desaparecidas, a azul é usada para reunir informações sobre pessoas procuradas em investigações.
Apoio da Interpol
Nathaly foi procurada nesta terça-feira, 8, pelo Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal, que colocou à disposição da família ferramentas da Interpol. Com isso, os novos recursos poderão auxiliar na repatriação dos irmãos, caso sejam localizados em outro país.
Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Os irmãos estavam acompanhados do primo Wanderson Kauã, de 8 anos, que foi encontrado vivo três dias depois, em 7 de janeiro.
A prefeitura de Bacabal destacou que a esperança de encontrar Ágatha e Allan nunca deixou de existir e que todos os esforços ao alcance do município continuam sendo feitos para contribuir com as buscas e a investigação.
A administração municipal ressaltou ainda que "segue garantindo acompanhamento social e psicológico e todo o apoio necessário à mãe e aos familiares das crianças, além de assistência aos moradores da comunidade de São Sebastião dos Pretos, com atenção especial também às crianças e aos adolescentes da comunidade".