Geral

STJ decide manter Rogério de Andrade preso em penitenciária federal

Bicheiro será levado a júri popular pela morte de Fernando Iggnacio; decisão também mantém acusado em unidade de segurança máxima

Por Aretha Dossares

Publicado em 12/09/2026 11:23:22 Atualizado em 12/09/2026 11:23:22
Bicheiro Rogério de Andrade está detido em um presídio federal
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a manutenção do bicheiro Rogério de Andrade em um presídio federal de segurança máxima. A decisão, tomada após recurso do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), restabeleceu a ordem da primeira instância que havia prorrogado a permanência dele no sistema penitenciário federal. Rogério é acusado pela morte de Fernando Iggnacio e será submetido a júri popular pelo crime.

O ministro relator acolheu os argumentos apresentados pelo MPRJ e considerou desnecessária a existência de fatos novos para justificar a renovação da custodiada em uma unidade federal. Segundo o entendimento, a persistência dos motivos que fundamentaram a transferência inicial é suficiente para embasar a permanência, desde que haja justificativa concreta pelo Judiciário.

Entre os elementos considerados para manter Rogério de Andrade no sistema federal estão a posição de liderança em uma organização criminosa, a disputa violenta pelo controle do jogo do bicho e a suposta influência sobre agentes públicos para favorecer atividades ilícitas.

O STJ também ponderou o posicionamento da Diretoria da Polícia Penal Federal, que se manifestou de forma contrária ao retorno do acusado ao sistema prisional do Rio de Janeiro.
"O fundamento nuclear da custódia federal, neste caso, reside na capacidade de o recorrido projetar influência sobre o sistema prisional fluminense e sobre órgãos estaduais de segurança pública. A permanência no Sistema Penitenciário Federal existe justamente para neutralizar esse tipo de ascendência", descreve a decisão do STJ.

Na decisão, o magistrado destacou que a permanência em unidade de segurança máxima visa impedir que Rogério exerça ascendência sobre o sistema penitenciário e órgãos estaduais de segurança pública.

Rogério de Andrade foi denunciado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) pelo homicídio qualificado de Fernando Iggnacio, morto em novembro de 2020 no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. A 1ª Vara Criminal da Capital determinou que ele vá a júri popular.

Quem é Rogério de Andrade?

O contraventor Rogério de Andrade é apontado como chefe de esquemas de contravenção, como o jogo do bicho e a operação de máquinas caça-níqueis, especialmente na Zona Oeste da capital fluminense. O controle dessas atividades começou a ser dividido no fim dos anos 1990, após o falecimento do patriarca Castor de Andrade, tio de Rogério, vítima de um infarto em 1997. Na ocasião, o comando dos negócios foi fatiado entre o sobrinho, o herdeiro direto Paulo Roberto de Andrade e Fernando Iggnácio, então genro do bicheiro histórico.

Atualmente, Rogério cumpre reclusão sob a acusação de mandar executar Iggnácio, crime pelo qual foi preso em 2024.