'Passagem secreta' e mais de R$ 700 mil: o que a polícia encontrou na casa de Milton Leite
Por Agencia Estado
Publicado em 18/09/2026 17:05:51A Polícia Civil e o MP-SP encontraram uma passagem secreta e R$ 765 mil reais em dinheiro na casa do ex-vereador Milton Leite em Sorocaba, no interior de São Paulo. Leite era procurado desde a manhã de quinta, 17, após ser alvo de um mandado de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo MP-SP na quinta-feira, 17, para apurar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista.
Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.
A polícia apura a possibilidade de ter ocorrido um vazamento da operação, uma vez que Leite ficou mais de 24 horas foragido. Dos 16 mandados de prisão temporária autorizados pela Justiça, 11 foram cumpridos até o momento. Outras cinco pessoas, incluindo o presidente do Água Santa, Paulo Sirqueira Korek Farias, ainda estão foragidas.
A ação de quinta-feira é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas operado pelo PCC. Na época, a investigação revelou uma complexa rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes da "Sintonia Restrita" e da "Sintonia dos Gravatas", além de projetos para lançar faccionados como candidatos nas eleições municipais.
A Justiça autorizou o mandado de prisão temporária contra Leite sob a justificativa de que ele é "citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC".
"Somado a isso, há declarações de policiais militares, em procedimento que tramita no Tribunal de Justiça Militar, de que ele seria o dono de fato da empresa Transwolff", disse o desembargador Sergio Ribas em sua decisão.
A Transwolff é uma empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do MP-SP, em 2024. A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção.
A defesa da Transwolff afirmou que Leite nunca teve participação societária na empresa, nem atuou na gestão ou deu ordens a funcionários. Segundo os advogados, qualquer afirmação nesse sentido é equivocada e não corresponde à realidade.