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Paramount fecha acordo com estados dos EUA e avança para comprar Warner Bros.; entenda

Por Agência Estado

Publicado em 21/09/2026 15:01:18

A Paramount chegou a um acordo com procuradores-gerais de 12 estados dos Estados Unidos e retirou um dos principais obstáculos para concluir a aquisição da Warner Bros. Discovery.

Os detalhes do entendimento ainda não foram divulgados, mas o acordo encerra a ação relacionada às regras de concorrência movida pelo grupo de estados para impedir a operação.

A negociação ocorreu antes de 1º de outubro, quando a Paramount começaria a acumular uma multa contratual de 7 milhões de dólares (cerca de R$ 36 milhões) por dia, segundo informações divulgadas pela Bloomberg, pelo Wall Street Journal e confirmadas pela Variety.

A operação, avaliada em 111 bilhões de dólares (cerca de R$ 572 bilhões), é considerada a maior fusão da história de Hollywood. O negócio estava suspenso enquanto a disputa relacionada às regras de concorrência não fosse resolvida.

Por que a aquisição foi parar na Justiça?

O grupo formado por 12 estados é liderado pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta. As autoridades entraram com uma ação em julho para tentar impedir a aquisição, mesmo depois do Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter aprovado a operação.

O processo alegava que a fusão poderia reduzir a concorrência nos mercados de televisão por assinatura e de cinema. Segundo os estados, a operação poderia resultar em preços mais altos e menos opções para empresas de exibição e para operadoras de TV a cabo e via satélite, com possível repasse dos custos aos consumidores.

Em julho, a juíza Araceli Martinez-Olguin concedeu uma ordem de restrição de 28 dias e avaliou que os estados haviam apresentado argumentos relevantes sobre possíveis impactos da operação na concorrência.

Na sequência, a Paramount concordou em suspender o negócio até a realização do julgamento sobre o mérito da ação, que estava marcado para 2 de março de 2027.

O que foi discutido no acordo?

Embora os termos ainda não tenham sido divulgados, as negociações envolveram compromissos da Paramount com a permanência de operações na Califórnia e com os níveis de produção.

Outro ponto discutido foi a supervisão editorial da CBS e da CNN, uma preocupação apresentada pelos procuradores-gerais da Costa Leste.

Antes do acordo, Bonta defendia a adoção de medidas estruturais para reduzir possíveis efeitos anticompetitivos da fusão. A posição foi interpretada como uma defesa de mudanças significativas na estrutura das empresas, incluindo possíveis desinvestimentos.

A Paramount também pressionou pela retirada da ação. Nas últimas semanas, a companhia chegou a ameaçar transferir suas operações da Califórnia para o Texas ou o Tennessee. Parlamentares democratas estaduais foram mobilizados para defender um acordo, enquanto sindicatos e entidades do setor, como IATSE e Directors Guild of America, também pressionaram pela resolução da disputa.

O que a Paramount diz sobre a fusão?

Desde o início da disputa, a Paramount sustenta que a aquisição aumentaria a concorrência e permitiria ampliar a produção de conteúdo. A empresa afirma que a operação ajudaria a enfrentar plataformas de streaming como Netflix e Amazon.

O setor de exibição de filmes também mudou de posição durante a disputa. A Cinema United, entidade que representa os cinemas nos Estados Unidos, inicialmente se opôs à fusão.

Depois que AMC, Cinemark e Regal, três das maiores empresas do setor, passaram a apoiar um acordo, a organização também mudou de posição e defendeu a resolução da ação.

Sindicato dos roteiristas ainda questiona operação

A ação dos procuradores-gerais não era o único processo contra a aquisição. A Writers Guild of America (WGA), sindicato que representa roteiristas nos Estados Unidos, também entrou com uma ação em julho para tentar impedir a operação.

O processo da WGA estava previsto para ser analisado junto com a ação dos estados em março de 2027. Ainda não estava claro qual seria a posição do sindicato após o acordo anunciado entre a Paramount e os procuradores-gerais estaduais.

Com o entendimento, a disputa liderada pelos estados deixa de ser um obstáculo para o avanço da aquisição, mas ainda existem questões relacionadas aos demais processos e às condições para a conclusão da operação.

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