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Caso Isabelle: síndica diz que namorado buscou celular em lixeiras e barrou família da jovem

Por Agencia Estado

Publicado em 28/09/2026 14:44:21

Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.

A síndica do prédio onde Isabelle Caracristi, de 22 anos, morava com o namorado, João Munhoz Neto, afirmou em depoimento que ele pediu ao porteiro que procurasse o celular da jovem nas lixeiras do edifício no dia seguinte à morte. Segundo ela, Neto também teria impedido a entrada da família de Isabelle no prédio onde o caso aconteceu.

As informações foram obtidas pelo Fantástico, que também teve acesso a mensagens e áudios enviados pela estudante antes de morrer. Nos conteúdos, ela relatou ameaças e descreveu comportamentos que considerava controladores por parte do namorado.

Isabelle morreu após cair do terraço do prédio onde morava com Neto, em um bairro nobre de Fortaleza. O namorado está preso e é investigado pela Polícia Civil do Ceará. A defesa nega as acusações.

Segundo o depoimento da síndica exibido pelo programa, Neto voltou ao prédio no dia seguinte à morte e pediu ao porteiro que verificasse se o celular de Isabelle estava nas lixeiras. Ele também teria proibido a entrada dos familiares da jovem no edifício após a morte.

Segundo o Fantástico, no mesmo dia Neto também mandou limpar o apartamento, retirou alguns objetos do imóvel e o colocou à venda.

Mensagens mostram relatos de ameaças e controle

O celular de Isabelle havia sido localizado pela polícia junto ao corpo da jovem. No aparelho foram recuperados áudios e mensagens enviados a familiares e amigas pouco antes de morrer.

Em um áudio enviado ao primo, Isabelle afirmou que vinha guardando situações graves e relatou ameaças que, segundo ela, partiam do namorado.

"Estão acontecendo coisas sérias, coisas graves, que eu venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele, entendeu? Que eu simplesmente não estou suportando mais", disse.

Em outra mensagem, a estudante descreveu o que considerava um comportamento controlador. Ela afirmou que não conseguia realizar determinadas atividades sozinha além de restrições impostas pelo namorado.

"Eu não consigo, por exemplo, fazer nada sozinha, porque se ele não estiver junto, ele fica supondo coisas. Eu não posso postar foto, porque ele acha ruim", afirmou.

Isabelle também contou às amigas que o namorado a proibia de sair do próprio prédio e chegava a ficar na porta para impedir sua passagem.

"Eu simplesmente não aguento mais, eu não aguento mais. Eu estou cansada. Hoje foi a gota d'água", relatou.

Antes de morrer, a estudante enviou ainda uma mensagem de despedida ao irmão e à mãe. Segundo o Fantástico, ela pediu perdão, disse que havia sido vencida pelo medo e pediu ao irmão que protegesse a mãe.

Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle, afirma que não foi avisada diretamente por Neto sobre a morte da filha.

"Ele não me ligou. Eu estava dormindo. Quando eu vejo, foi uma ligação de um número desconhecido. Se fosse ele me ligando, o número era conhecido, eu teria imediatamente atendido. Eu tive que ir lá para saber da morte da minha filha", contou.

Cobrança financeira

Conversas recuperadas do celular de Isabelle mostram ainda uma discussão financeira entre ela e Neto no dia da morte. Segundo o Fantástico, ele cobrava R$ 13,5 mil da estudante e mencionava a necessidade de receber dinheiro para quitar gastos.

A advogada da família, Patrícia Viana, afirmou que, após o empréstimo, Neto teria feito outras cobranças e exigido, entre outras coisas, a localização de Isabelle.

Em depoimento à Polícia Civil, Neto afirmou que havia emprestado pouco mais de R$ 14 mil à estudante e que a mãe dele havia emprestado outros R$ 7 mil. Ele negou ter feito ameaças e disse que apenas fez uma cobrança mais firme após o vencimento do prazo.

A defesa nega as acusações de controle e abuso psicológico. A advogada Ligia Peixe apresentou um pedido de habeas corpus para que Neto deixe a prisão.

A polícia já ouviu 25 pessoas no caso. A investigação também apura a relação de Neto com outra mulher. A defesa confirmou que ele é casado, mas afirmou que estava separado da esposa.

Isabelle e Neto se conheceram em um escritório de advocacia onde ele era gestor e ela trabalhava como estagiária. Segundo depoimento obtido pelo Fantástico, o proprietário do escritório afirmou que a jovem o procurou e disse que se sentia "sufocada" profissionalmente pelo namorado.

A mãe de Isabelle afirmou ao programa que espera respostas sobre a morte da filha e que o caso não se repita.

"Eu quero que isso que aconteceu com minha filha, essa relação abusiva, controladora, não se repita. São coisas que eu, como mãe, quero as respostas e quero justiça para minha filha", afirmou.

Investigação

Imagens de câmeras de segurança mostram Isabelle chegando ao prédio acompanhada de João e subindo para o apartamento, no 15º andar. Posteriormente, ele saiu para ir a uma missa, enquanto ela permaneceu no imóvel. Às 19h12, a jovem foi registrada pela última vez no elevador.

A perícia concluiu que a queda foi voluntária e não encontrou indícios de que Isabelle tenha sido empurrada. A hipótese de uma queda acidental também foi descartada. Segundo o Fantástico, a perita do Instituto Médico-Legal (IML), Ana Leopoldina Rocha, afirmou que não foram identificadas lesões de defesa que indicassem uma possível luta corporal.

A polícia analisa mais de 700 vídeos das câmeras do prédio e tenta estabelecer o horário exato em que João soube da queda. O celular dele também é investigado. Segundo o delegado Márcio Gutiérrez, o aparelho contém mais de 400 mil mensagens, além de e-mails e informações de localização.

Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

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